Dizer que pensar é a solução

Dizer que pensar é a solução, é dizer muito pouco, é praticamente nada dizer, pois que de uma forma ou de outra, todos pensamos, e a sociedade parece caminhar cada vez mais perdida, cada vez mais desunida, cada vez mais irresponsável pelo próximo, pela vida e pela própria natureza. A solução não está em simplesmente pensar, sinto-me fortemente tentado a dizer está em pensar bem, mas imediatamente percebo que de novo quase nada mudou. Qual a diferença em pensar e em pensar bem? Pensar bem continua com um escopo muito aberto, muito teórico, quase nada prático, muito pouco efetivo. O que me diz se estou pensando bem ou mal? Bem não é algo absoluto, é muito abstrato. Posso gastar horas pensando, e você pode gastar apenas uma fração deste tempo, pensando sobre o mesmo assunto, e chegar a conclusões diferentes de mim, mas como mensurar ou estimar qual das duas conclusões está mais próxima de alguma verdade, de alguma “melhor” solução. 

Ousaria começar dizendo que tudo tem início no conhecimento e seus afins, evidências, teorias, leis, modelos, experimentos, simulações, realidade, até mesmo fenômenos. É impossível, cada vez mais, pensar bem, pensar livre, pensar crítico, pensar racional, desapegado ou descolado de um bom conhecimento, de algum sólido saber. É bastante evidente que não necessariamente dispomos de tão vasto saber, por isso antes de pensar é necessário fazer um estudo, um bom levantamento, uma análise sobre tudo que pudermos sobre o alvo do que estamos prestes a pensar, e tirar nossas conclusões. Selecionar as fontes é essencial. Se possível, dependendo do escopo, e da grandeza de conhecimentos envolvidos, torna-se necessário criar uma equipe múltipla temática, multidisciplinar, integrada, para pensarem em conjunto. Assim o pensar bem seria parte de um processo, de uma metodologia que permite antes aprofundar o conhecimento, e depois, se possível, “dividir para conquistar”, mas tendo sempre em mente o objetivo, o foco, a alvo a ser atingido.


 Conhecimento, evidências, método, saber, teorias, leis, experimentos já feitos, refutações já comprovadas, simulações, coragem para ir fundo, fazer ou buscar fazer todas as perguntas, mesmo as mais óbvias, ou as mais “preconceituosas” (é necessário abrir mão do medo de perguntar, do medo dos preconceitos, do medo da cultura, do medo dos donos do saber, das revelações, das autoridades do saber; é necessário ter a coragem de esmiuçar profundamente e estar preparado para abrir mão de todo e qualquer conceito, tenha vindo ele de onde tiver vindo, tão logo novas evidências assim nos mostrem), são requisitos para um pensar bem. Pessoas comuns, como eu, não conseguem ter profundamente tudo isto, assim, é vital o máximo de cuidado na obtenção do que nos for possível, cuidado com as fontes, e principalmente o máximo de cuidado nos valores atribuídos a cada um dos itens, para que não caiamos na tentação fácil de valorar o não importante, ou deixar passar aquilo que não nos interessa segundo nossos conceitos e preconceitos. Precisamos ter a coragem de garimpar livre de nossos conceitos. A conceituação virá à posterior, quando de forma organizada, passarmos a pensar com o todo que temos em mãos, e livre da tentação de tentar adequar o que temos ao que gostaríamos que fosse, ou ao que deveria ser, livre dos interesses pessoais, corporativos, ou mesmo sociais.

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