Espírito da ciência

A busca por indícios é essencial, é parte primordial de toda a pesquisa e análise, de todo buscar, de todo aprender e apreender, indícios que levem a evidências melhor ainda. Mas, como dizia Feynman, toda a pesquisa começa sem que saibamos a resposta ou as respostas, se a sabemos ou se no mínimo acreditamos que a saibamos, devemos desistir, ou desistir e abandonar as respostas, devemos sincera e desapegadamente abrirmos mão das respostas que podem estar latejando “dentro” de nós. Devemos iniciar cegos, surdos e mudos para quaisquer respostas, não temos o direito, em nenhum estudo sério, em nenhuma pesquisa séria, de inicia-la com quaisquer que sejam as respostas. Ainda como Feynman: isto é essencial, isto é muito importante. A dúvida, o desconhecer, a incerteza, são necessárias a qualquer pesquisa. No início estamos despidos de respostas, aí podemos dar “partida” a empreitada de iniciar nossa caminhada. Ter a certeza de que não temos certeza é essencial para iniciar nossos estudos, nossas experiências, nossa pesquisa, ou não estaremos fazendo pesquisa alguma, apenas, no máximo, no melhor das hipóteses, fazendo experiências, ou buscando indícios e evidências daquilo que queremos, e jamais estaremos isentos e livres para perceber tudo, e acabaremos, proposital ou não intencionalmente, deixando pelo caminho tudo aquilo que não nos interesse, que não nos leve a chegar às respostas que já temos. Agora que tenho a certeza que não tenho certeza alguma sobre o estudo que estou prestes a iniciar, posso dar início à busca das evidências, todas elas, pois que não sei resposta alguma, e toda e qualquer uma evidência (ou indício) pode ser essencial para comprovar ou refutar nosso estudo. O método científico é primordial, é essencial, e é eficaz demais em nossa ajuda. Mas além de buscarmos indícios e evidências, devemos ter a mente aberta para informações e ideias, devemos estar sempre elaborando ideias, e buscando ideias de todas as fontes possíveis, sem nos apegarmos ás autoridades de quem as tenha levantado, e sim buscando ideias para que possamos digerir, costurar e buscar coerência ou não em nossa pesquisa. Buscar coerência e lógica entre todas as possíveis ideias é parte importante da pesquisa. De posse dos indícios, das evidências, e das ideias, já o mais lógica e coerentemente costuradas possível, vamos a fase da avaliação destes indícios, destas ideias, destas evidencias, não podemos nunca, em hipótese alguma, nos atermos apenas as evidências, aos indícios ou as ideias que apenas gostamos, e sim “pegar” todas elas, com objetividade, livre de interesses, e buscar cada vez mais profundamente costurar ideias, indícios e evidências que possam manter a coisa, o conceito todo, operando, tudo funcionando, com o cuidado de jamais nos atermos as autoridades do saber, de nenhum saber, a menos de que talvez seja uma boa indicação, se vem de uma autoridade que confiamos. De novo, como dizia o grande Feynman, devemos sempre desdenhar de toda autoridade pela busca de uma resposta livre e completa. Buscar experimentos, fazer anotações, buscar comprovações e refutações são os passos a seguir, mas sempre de maneira desinteressada, no sentido de desinteresse por uma, ou por qualquer resposta em especial. E este “espírito” da ciência está conosco desde Galileu, desde esta data ainda não conseguimos nada melhor.



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