Felicidade

Todos, de forma geral, procuramos ser felizes, podemos até não saber exatamente o que seja esta tal felicidade que almejamos encontrar, mas a queremos. Deve ser bom. Ser feliz deve valer algo, pois que todos, com o mínimo de saúde mental, a desejamos. O que seria em verdade esta tal felicidade? Será inebriante? Será contagiante? Será humano? Será natural? Será mera construção subjetiva? Será um misto de natureza e construção? Ela já estaria em nós? Ou será ela algo “exótico”, algo misterioso, que cada um sente ao seu jeito, que cada um define como quer, e assim cada um pode ter a sua, e representá-la mentalmente a sua forma? Eu, entendo que ser feliz deve ser complexo, mas há de ser algo mental, neuronal, natural, deve ser um estado psíquico, deve ser assim algo que já trazemos como estrutura fisiológica, mas que necessita de algo mais, de alguma construção para no mínimo ativá-la. Mesmo que muitas vezes erremos na forma, todos buscamos esta tal felicidade. A felicidade, assim, é uma busca comum a todos, sem exceção (talvez haja aqui algum possível excesso, mas no mínimo a quase todos). Não é ruim que assim seja, é até bom que assim ocorra. O que importa é dar escopo minimamente correto a ela, menos a minha felicidade e mais a nossa felicidade, tendo em mente a felicidade deles também. Menos a felicidade dos meus interesses, da minha vaidade, e mais uma felicidade social, coletiva, dos interesses do humano e do social.

Nossas ações buscam de alguma forma a felicidade, mesmo quando somos egoístas, pedantes, vaidosos, ou não éticos, mesmo quando fazemos maldades e atrocidades, buscamos, de forma errada é claro, de forma ingênua é certo, de forma irreal é verdade, a nossa “porção” de felicidade.


Platão denota que a pergunta “Desejamos ser felizes?”, é de uma resposta tão óbvia que não merece sequer ser feita. Todos desejamos ser felizes (de novo aqui com o risco assumido de algum excesso).
Como diria André Comte-Sponville “ a busca da felicidade é a coisa mais bem distribuída do mundo”, entretanto, a democratização, a sociabilização da sua busca, de sua procura, não se reflete, em verdade, no seu encontro, no seu alcance.

Quero ser feliz.
Queremos ser felizes. 
Poucos conseguiremos. Cabe comentar que, mesmo que entendendo termos a fisiologia e os processos mentais para a encontrar e/ou construir em nós, não creio em felicidade eterna, perene e absoluta, como não creio em sábios absolutos, em sabedoria total, em sapiência integral ou em saber incondicional. Sempre há lugar, e que bom que assim seja, para a dúvida, como sempre há espaço mental para algum sofrimento. Mesmo com um que cético, busco alguma felicidade, ou por melhor que seja, busco minimizar o sofrimento e polvilhar minha vida com alguns momentos de real felicidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Educação

Livre arbítrio

Recomeçar

Gostamos de exigir