O humano e o Natural

Somente pensar não adianta. Agir sem pensar é um risco. Agir pensando, e pensar antes de agir, transformando com ação e pensamento, é a diferença. Somos humanos, não porque sejamos melhores ou mais evoluídos, isto não existe, nem mesmo porque sejamos um projeto de criação de algum ser transcendental. Somos humanos quando damos luz a nossa humanidade, de resto somos homo sapiens. Impossível ser humano sem antes realizarmos nossa real existência homo sapiens, uma espécie do grupo dos grandes primatas, mas é ela, somente ela, quem nos dá suporte físico, biológico e mental, para o bem e para o mal, para o que somos, para o que gostaríamos de ser, e para o que deveríamos ser, eterno conflito, ser, desejar ser, e dever ser. Somos naturais, imanentes, e filhos da natureza.

Somos caminhantes na difícil trilha de nossa humanidade. Somos humanos lutando para aprender a caminhar. Somos enfim Homo Sapiens, entretanto muito distantes de Sapiens Sapiens (Homo Sapiens Sapiens, como nos autodenominamos, sob o brilho sujo de nossa prepotência), somos primatas que caminham com dificuldade, muita dificuldade, muitas vezes perdidos, quando o foco é alguma humanidade, quando o destino é nos tornar humanos, quando o aqui e o agora deveria ser realizar nossa humanidade.


Somos Humanos, mas antes somos naturais. O humano emerge, ou pode emergir, melhor ainda, o humano somente pode emergir de nosso natural, e de nossa imanência biológica. Sem a biologia natural que nos dá constituição física e suporte mental, jamais poderíamos ser algo, muito menos chegar a ser humanos. Agora ser humano não é, e nem pode ser visto, como ser melhor, mais evoluído, ou superior a qualquer outra espécie de ser vivo, significa apenas que somos, ou seriamos, aquilo que melhor nos distingue como espécie animal. Temos as mesmas origens dos demais animais, temos a mesma biologia básica, temos os mesmos “tijolos” construtores dos demais seres vivos, assim O humano e o natural se misturam, mas o natural é necessário e assim, mais duradouro. O humano pode se ir, como milhões de outras espécies se foram ao longo do tempo geológico, mas o natural permanecerá.


Texto publicado originalmente no site www.arlindotavares.com, em março de 2014. Este site estará sendo descontinuado, por isto republico aqui o texto.

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