Oliver Sacks Gratidão a vida e ao viver

Oliver Sacks escreveu uma série de ensaios, quatro deles publicados em um pequeno livro de título ‘Gratidão’. Estes ensaios versam sobre sua vida, ou melhor, sobre a experiência do viver seus últimos tempos, em especial depois que teve confirmada diversas metástases em um câncer no fígado, e que este era agora incurável. São cerca de 50 páginas (destas, apenas 40 compõem os 4 ensaios) escritas em um livro de formato pequeno e fonte grande, de leitura ultrarrápida, entretanto cheio de humanidade, onde diversas foram as vezes que me vi emocionado, sendo o mais importante, é que é um livro positivo, cheio de amor à vida e de devoção ao ser humano, por isso me emocionei, vivendo com ele uma emoção e um sentimento que de alguma forma aflorava em mim, aquele mesmo sentimento que muitas vezes se vê largado, relegado, vilipendiado e menosprezado em relação ao real amor à vida, à nossa jornada nesta vida, ao aprender com esta vida, e ao que podemos ser.
Vou me ater apenas a um dos textos, de título “My Own Life”, título este retirado, como afirma o mestre Oliver de um livro publicado por David Hume, em abril de 1776, escrito de uma única carreira, em um único dia, quando este também recebeu a notícia de que estava com uma doença incurável, e que seria apenas questão de tempo para sua morte. Oliver Sacks assume gostar muito de Hume. Gratidão, é um destes livros que você lê em menos de uma hora, e que é muito prazeroso, principalmente quando você tem o autor como mais que apenas mais um escritor. 

... “Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for ‘concluir uma vida’. Alguns de meus pacientes nonagenários ou centenários dizem ‘nunc dimittis’ – ‘tive uma vida plena, agora estou pronto para ir’. Para alguns deles, isto significa ir para o céu. É sempre o céu e não o inferno, embora Samuel Johnson e James Boswell estremecessem diante da ideia de ir para o inferno e se enfurecessem com David Hume, que não tinha estas crenças. Quanto a mim, não creio em (e nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros possam ainda “falar” às pessoas depois de eu morrer.” 
... “Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida.” 
... “Agora devo escolher como viver durante os meses que me restam. Tenho de viver do modo mais rico, profundo e produtivo que puder. Encorajam-me as palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao saber-se portador de uma doença mortal, aos 65 anos, escreveu uma breve autobiografia em um único dia, em abril de 1776. Intitulou-a ‘My Own Life’.” 
... “Quem morre não pode ser substituído. Deixa lacunas que não podem ser preenchidas, pois é o destino genético e neural de todo ser humano ser um indivíduo único, encontrar seu próprio caminho, viver sua própria vida e morrer sua própria morte.” 
... “Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão.”

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