Pensar por alguém

Pensar por alguém? Outros pensarem por nós? Sinceramente acho mais uma das muitas falácias, é impossível pensar por alguém (acreditando que podemos ser neutros para pensar como este alguém), pois que pensar é um ato pessoal, subjetivo, e repleto de nossos conceitos e preconceitos, repleto de nossas emoções e sentimentos, repleto de nossos conhecimentos, repleto do feedback que naturalmente captamos de nós mesmos e do exterior, do que sentimos enquanto pensamos e do que nos é induzido continuamente, sendo assim um ato repleto de nós mesmos. Quando muito, podemos pensar com alguém, mas nunca pensar “por” alguém. Pensar por alguém significa, na verdade, pensar por si mesmo, induzindo ou catequisando alguém conforme nossos próprios pensamentos. Pensar por alguém é usurpar a liberdade deste alguém. Por outro lado, deixar que alguém pense por nós é se entregar nas mãos de outro, é deixar de tentar sermos nós mesmos, é abdicar de realizar cada vez mais um pouco de nós. Se pensamos por alguém, em verdade pensamos por nós mesmos, e nunca pensamos “pelo” outro alguém.

Aquele que se “deixa” pensar pelos outros, é na verdade um alienado, sonho de consumo do sistema, pois que é facilmente, ou mesmo totalmente, direcionável, influenciável, e catequizável, sendo eterno escravo deste outro alguém, fácil "massa" de manobra, sendo na verdade um ingênuo se crê que pode deixar que outros pensem por ele. Todos devemos ser donos de nós mesmos, e sentir, pensar e realizar, devem ser nossa assinatura sobre a realidade do que somos e do que podemos ser. 


Podemos, e acabamos por fazê-lo, direta ou indiretamente, nos valendo de outros, pessoalmente, por textos ou por quaisquer outros meios, para obter informações, versões, pontos de vistas, referências, ou mesmo algum conhecimento, uma vez que é impossível tudo sabermos em primeira pessoa, mas nunca para que eles pensem por nós, quando muito para pensarmos junto com eles, mas jamais abrindo a mão da responsabilidade, do prazer e da capacidade de pensar por nós mesmos. 

Entendo que somente a vaidade ou a prepotência podem “justificar” a crença de que alguém pode pensar pelo outro, de que alguém é mais preparado para pensar pelo outro, de que alguém sabe melhor o que o outro precisa, o que o outro realmente sente, ou o que o outro deve pensar, do que o outro próprio. Há!!! Existem as religiões, as doutrinas, as políticas, a mídia, as catequeses, o poder, ... e assim, ingênuos acabam por entregar sua mente, seu ser, seus pensamentos, nas mãos de estranhos, abrindo mão de sua liberdade de ser, de pensar e de agir, com responsabilidade sempre, em nome de uma falsa visão de que “eles” possam melhor saber o que devemos ser, pensar, aceitar, acreditar ou nos entregar...


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