Silêncio e revolta

Quanto mais silencio (quanto mais me calo e emudeço) contra a revolta do que aqui está, mais grito para o mundo que compactuo com esta mesma sociedade que coniventemente ajudo a sustentar. 

O silêncio de minha revolta relega ao descaso e ao abandono social milhões de seres vivos que ficam a margem da dignidade humana, entre estes uma multidão de crianças que sequer aprende a conhecer o que é alguma autoestima.

O grito silencioso e sufocante do sofrimento alheio deveria ser suficiente para que não me calasse.


O clamor desesperado e silencioso do olhar sofrido de crianças, deveria ser por si só revoltante o suficiente para nos acordar do sonho ilusório da esperança, e nos fazer corajosos o suficiente para não buscar remediar a situação, mas sim destroçar todo e qualquer vínculo com este presente desumano que ousamos tentar varrer para debaixo dos tapetes da soleira de nossas crenças, e de nossas improfícuas esperanças. Não esperemos, façamos. Não deleguemos, façamos. Não compactuemos, façamos. Como dizia Vandré, “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, e eu acrescento quem não sabe, tenta, luta, aprende, constrói, mas não se curva coniventemente e omisso frente a desumanidade latente de nossa sociedade.

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