Somos

Somos criação e criatura de nosso próprio apocalipse, criação e criatura de tudo o que somos. Somos enfim reais, naturais, complexos e o resultado de muitas, diferentes e complexas interações e causas. Muitos de nós acreditamos ser especiais e herdeiros diretos de tudo o que há em nosso planeta, assim cremos ter o domínio e o direito ao uso e abuso de tudo que aqui existe, e assim, de forma prepotente, depositamos fé no direito à posse total e absoluta sobre tudo. Perdidos em crenças e culturas reproduzidas ao longo de muito e muito tempo, acreditamos, presunçosa e repugnantemente, que dominamos nosso futuro e que quando a morte nos chamar estaremos a um passo de uma nova jornada, pois somos a descendência direta e escolhida de um ser superior. Quanto engano, quanta prepotência. Hum!  Há! O planeta? O planeta, aqueles mesmos acabam por deixar para lá, pois que nosso lar não é aqui, estaríamos de passagem, é o que arrogantemente muitos de nós acredita. Mesmo que verdade fosse, isto não nos daria o direito absoluto sobre a natureza, pois que, no mínimo, dela dependerão nossos filhos e netos. Este comportamento destrutivo e antinatural destrói muito mais do que constrói, esgota vergonhosamente a capacidade de sustentação de nosso planeta, e arrebenta com o ciclo de vida natural. Deveríamos, ao contrário, preservar o planeta e sua capacidade de sustentação da vida, além de trabalhar seriamente sua capacidade de recuperação, pois este é também o lar de um quase infinito nicho “multi biológico” de seres vivos, mas nossa pedante posição se lixa para a vida como um todo, somente importa nossa própria passageira jornada por aqui em destino ao falacioso paraíso celeste. 


Somos os primeiros seres vivos na história de nossa terra que não precisamos necessariamente nos adaptar ao nicho existente, pois temos a capacidade humana, supra-humana e “desumana”, de transformar os nichos ecológicos-biológicos ao nosso interesse e necessidade pessoal. Pura verdade, ledo engano. Ao transformar descontroladamente a natural estrutura de nosso planeta, o destruímos continuamente (não o destruímos fisicamente, e nem o destruímos completamente quanto a química e a biologia, mas o destruímos quanto a sustentação dos atuais nichos biológicos, e talvez mesmo em relação ao suporte a nossa sociedade), e carregamos em nossos ombros a culpa da destruição em massa de biodiversidade viva. Mas que se dane, devem pensar muitos, antes eles do que eu, o meu destino não é aqui mesmo.... Sou superior.... Sou especial.... Sou transcendente.... No fundo somos monstros transvertidos de “santos”, somos dor maquiada de salvação, somos perdição enrustida em esperança.... Somos desumanidade falseada em altruísmo e bondade ... Somos desamor dissimulado em amor. Somos enfim um nada que se agarra na falsa certeza de ser tudo.

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