A existência precede a essência

Sem querer bater cabeça com Sartre, ou mesmo com ninguém mais, acordei pensando sobre: A existência precede a essência, ou a essência precede a existência? Neste momento, acredito que sendo a essência o básico do que sou, o meu eu (ou os meus “eus”) em si próprio, natural, e mesmo entendendo que esta essência básica pode, ela mesma, ser “mutável” ao longo do tempo, pois que entendo que a essência representa, a cada instante, algo do status mental-cerebral básico naquele exato instante, me coloco assim pensando que a existência e a essência são diretamente parceiras no existir e no realizar sua essência. Para que a essência possa existir, é necessário que a existência em si exista, e desde que existo existencialmente, minha essência de ser, naquele momento, já se faz presente. Assim, entendo que existência e essência são companheiras, são parceiras inseparáveis, são dependentes, causas e efeitos naturais de si mesmas. 

Entendo que o termo existência é muito amplo, mas me refiro a existência mental, não necessariamente consciente ou autoconsciente, entretanto uma existência de um circuito neural operando minimamente saudável, que possibilita a emergência de um ser, não necessariamente pensante, como entendemos o pensar consciente, mas sim a emergência de algum ser. Assim, entendo que mesmo para os nossos primos do reino animal, seja ele um cão, um rato, um porco, ou um elefante, se existem mentalmente, realizam sua essência de ser, cada um, a cada instante, a sua própria essência, e no caso dos animais com maiores relações neurônios/(área e volume corporal), isto fica mais fácil ainda de perceber. Minha essência, não minha aparência, depende da existência mental, e minha existência mental acarreta e impõe minha essência, de forma natural.


Se eu entendesse que a existência, em si, implica, e somente seria entendida como existência, quando da realização de um ser consciente, então meu pensamento sofreria uma certa mudança, e entenderia que a essência precede a existência, pois que entendo que um bebê, talvez ainda não tendo seu processo mental totalmente consciente (pois que entendo que mesmo bebes já possuem, ao seu nível, alguma consciência de si e do mundo), mas lá no “interior” de sua mente, de seu cérebro, naquele instante, já “bate latente” algo de sua essência, que sofrerá uma infinidade de mudanças ao longo de sua vida, pois que seu cérebro sofrerá uma infinidade de alterações em seu circuito, ao longo do mesmo tempo, em decorrência de sua plasticidade, entretanto, mesmo nestes casos, entendo que algo, talvez que nunca venhamos a ter acesso em sua totalidade, da essência básica daquele ser, perdurará como que gravado em partes do circuito que normalmente não sofrerá grandes alterações.

Isto não significa que estou certo, ou que esta complexa pergunta está completamente respondida, significa apenas e tão somente o que neste momento penso. Por favor, isto não é um estudo, mas é uma mera discussão comigo mesmo, e que se encontra ainda em fase embrionária, desta forma não devendo ser lida como prova de nada, e sim, apenas, como testemunho do como, hoje, agora, neste instante, penso sobre isto.

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