Ateu


Este é mais um texto da “safra” de 2013. Estou aos poucos, republicando meus textos um pouco mais antigos


Ateu
Pode não parecer para muitos preconceituosos ou interesseiros, mas um ateu, como outro ser humano qualquer, também é gente, e em geral é gente que faz e não que troca ou coleciona bônus, é gente que assume suas responsabilidades, e não que somente critica a irresponsabilidade dos outros, ou que transfere para o invisível as responsabilidades que têm de ser nossas. Antes de ser ateu, necessito ser animal humano, desta forma sou passível de todas as emoções, sentimentos e reações naturais aos humanos. Ser ateu nunca foi sinônimo de perfeição, ou de ser melhor que qualquer outro, ser ateu é uma questão de escolha natural e racional, pelo menos para mim, conforme o natural que percebo, e o racional que posso construir. Ser ateu é ter a coragem de se assumir fatal, finito, imperfeito e falho, e sem direito a segunda chance ou recuperação, é ter a certeza que ou faço bem por agora, ou nunca mais o poderei fazer. 


Ser ateu é valorizar a vida que emergiu da química, é aquilatar o real, é estimar o social, é respeitar o natural. Um ateu sabe que é incapaz de tudo saber, sabe que falta muito a conhecer, mas sabe aprofundar a diferença entre crer e saber, entre o que desejo fosse verdadeiro, e a verdade que pode realmente ser. Um ateu tenta ser crítico, racional, cético em tudo que aprende, percebe, sente, vê ou pesquisa. Um ateu sabe que, talvez, jamais poderá provar a inexistência de alguns tipos de deidades, como um deus deísta, mas sabe que não precisa provar sua inexistência para que verdade seja, sabe que bastaria uma única prova cabal de sua existência, para que fosse obrigado racionalmente a crer nesta deidade, ou em quaisquer variações de teísmo, deísmo, panteísmo, politeísmo ou mesmo monoteísmos outros. Um ateu sabe que não cabe a ele provar a insistência de deus algum, a prova da existência cabe a quem afirma que ele existe. De outra forma, se eu disser a algum religioso, ou a qualquer outro humano que no ombro dele existe um pássaro (visível ou invisível), que está confundindo a mente dele, não caberia a este humano provar sua inexistência, não, neste caso caberia a mim, que o afirmo existir, provar a existência de tal pássaro, assim, desta forma, hoje, cabe ao crente religioso a prova da existência de alguma deidade, e não a mim, ou a outro ateu qualquer a prova de sua não existência, mas mesmo assim tenho várias evidências racionais e críticas para não crer em deus algum, em especial no deus teísta, “Abraâmico”,  sabendo que poderei estar errado, mas, mesmo que comprovado fosse a existência de tal deus, teria a coragem de falar-lhe: Caramba, você existe mesmo, mas não obstante sua existência, para um deus, para "alguém" superpoderoso como o senhor, que possui onipotência absoluta, você deixou muito a desejar, não me representando, assim.

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