EU

Talvez leia menos do que gostaria, talvez pense menos do que devesse, talvez aja menos do que pudesse, entretanto, escrevo o que gostaria de falar. Não sei se penso certo, mas ouso pensar, sem limites ou amarras. Brinco com jogos mentais, busco os extremos de cada situação, tento me colocar no lugar das pessoas, e ver assim não só o meu limite, mas o limite possível aos demais humanos.

Não sei se sou diferente, sei apenas que quase nada sou frente a imanência absoluta do tudo que me cerca. Leio o mundo com o cuidado de não buscar apenas na fenomenologia razões para tudo, ou não buscar nesta leitura apenas aquilo que gostaria que fosse, ou que imagino que devesse ser, busco ser realista, ser materialista, com algumas demãos de ceticismo, busco as verdadeiras razões por detrás das aparências. Busco não efeitos, mas causas reais, sejam elas absolutas, estatístico-probabilísticas, ou sejam elas estocásticas, busco mecanismos, não apenas figuras ou imagens. 


Longe de ser dualista ou idealista, sou um ser que ama a ciência, que se expõe, que não coleciona bônus para o amanhã, que ama a natureza e a vida acima de tudo, que sendo autodidata, está aberto a transformações em seus conceitos e preconceitos, tão logo existam provas firmes de que estava errado.

Entendo que o conhecimento é interdisciplinar e cumulativo, não creio em sábios, entendo ser um direito de todos buscarem e realizarem sua felicidade, experimentarem prazeres físicos e mentais, desde que esta felicidade ou estes prazeres não sejam um fardo ou um desagravo a dignidade social e humana de quem quer que seja, incluindo aqui animais e a própria natureza como um todo. Entendo que a felicidade deve ser valorada enquanto maximiza a felicidade social, do maior número de pessoas possíveis, pelo maior espaço de tempo possível, e pela maior abrangência geográfico-espacial possível.

Sou um aprendiz da vida, sou um buscador e apreciador do saber, de algum saber, pois que nunca o terei por completo, sou um eterno apaixonado pela vida e por meus filhos. Busco construir racionalmente meu amor por esta vida (toda e qualquer vida), por esta natureza, e mesmo por meus filhos. 

Este sou eu, um eterno mutável, um complexo ser mental, composto por vários seres, e um típico animal que busca sua racionalidade e que trabalha para construir o verdadeiro sentido do amor racional e da razão amorosa.

Se vou conseguir ou não, e se estou no caminho certo, não sei, mas isto não me exime do dever de tentar, e nem do direito de buscar.

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