Palavras

Palavras esvaem-se pelo espaço-tempo. Perdem-se entre verdades e mentiras, ofuscam seu sentido entre interpretações múltiplas. Palavras são arma de defesa ou ponta de lança de ataque. Palavras são parte da honra de um homem, ou caminho da perdição de muitos outros. As palavras são tijolos que edificam pontes de sentido e sensibilidade, ou são pedras que soterram a dignidade humana.

Uma palavra tem a força de motivar, tem a ternura de amolecer corações duros, ou tem o terrível castigo de ofender, menosprezar e destruir. Palavras entre amantes, na loucura do êxtase amoroso, mal se completam e possuem assim mesmo sentido completo, outras vezes, por mais que se arraste em frases, muitas vezes circulares, não se traduz em sentido maior. Mesmo assim as palavras não passam de meras e simples palavras, que podem ser jogadas a esmo por qualquer um, cobertas ou não por crença pessoal. Uma palavra pode sair de bocas sujas, de mentes doentias, ou de personalidades maléficas, e mesmo assim ser revestida de falsa beleza, pois pode ser apenas mais uma forma factoide de enganar, de convencer, de iludir, de induzir ou de mentir.
Palavras devem, assim, ser ouvidas como símbolos sonoros, ou lidas como símbolos visuais, e não necessariamente como testemunho de verdades. 

Todos conhecemos pessoas que no domínio de boa oratória convencem “milhões”, apenas para benefício próprio, iludindo e induzindo aos ingênuos, e muitas vezes até mesmo arrastando atrás de si pessoas letradas, apenas com argumentações muitas vezes próximas a logicas sérias, ou fazendo uso de repugnante verossimilhança como forma de enganar. 

Ouvir e saber escutar, analisando de forma crítica e cética, buscando fontes confiáveis sobre o argumento lançado, fugindo do emocional, e racionalizando de forma analítica, estudando com afinco o assunto, e deixando de lado o que gostaríamos que fosse verdade, pela busca do que é possível entender como verdadeiro, procurando sempre, uma que seja, refutação racional para quaisquer argumentações, é para mim a atitude desejável. 
Devemos evitar ser induzidos pela falácia da intuição, nunca intuição foi prova de nada. Devemos também fugir das induções, que no fundo prova de nada também são. Quem disse que ser coerente e intuitivo é o certo, por que razão o mundo complexo em que vivemos deve ser coerente e intuitivo com nossa finita capacidade de percepção e interpretação.

Palavras não alavancadas por compromisso e atitudes devem ser fonte de desconfiança.
 Não creio em sábios, não creio em iluminados, não creio em profetas, creio no trabalho sério, creio na busca racional e crítica, creio em análises lógicas e consequentes, creio na ciência, ou melhor creio no método científico para abordagem e depuração, creio nas provas explícitas, creio em modelos matemáticos, creio na busca desesperada de refutação como método de aprendizado, creio no ceticismo como forma de abordagem primeira, creio enfim na capacidade de recriação, redesenho, refinamento e descarte, do método cientifico. 
Não creio em revelações, não creio em autoridades do saber, não creio em universais, não creio em dogmas, mas creio no real, creio no imanente e creio que palavras possuem muita força, mas jamais poderão ser confundidas, sejam faladas ou escritas, com verdades, leis, ou saberes absolutos, se existirem alguns.

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