Falo e penso, será realmente, ou é apenas uma ilusão


“Falo, nada penso” ou “falo nada, penso”? Creio que nem um nem outro. Falo e penso. Penso antes de falar, buscando sentido e senso de necessidade no que falarei. Penso enquanto falo, buscando entender o que falo e sua relação com os feedbacks obtidos dos interlocutores. Penso depois de falar, buscando entender o alcance do falado, sua aderência ao que desejava falar, e possível impacto nos interlocutores, do que falei. Isto é bem diferente de escrever, pois que posso pensar antes de escrever, posso pensar durante o que escrevo, e posso pensar depois do que escrevi, mas sem interação direta, “olho no olho” com os interlocutores, não sei exatamente o alcance, a receptividade e o impacto, a menos de alguns comentários. Falar pessoalmente me permite pela interação, perceber quase imediatamente as reações, e se perceber que exagerei ou que magoei alguém posso de imediato buscar melhor me expressar, e tentar outros caminhos, outras estratégias para passar o que desejo, pois que penso não somente antes, mas no enquanto falo e no depois do que falo. Na escrita isto é mais difícil, isto impõe aos interlocutores, tanto ao que escreve quanto ao que lê, uma postura mais aberta, ao que lê impõem-se tentar perceber o contexto, o momento histórico, e principalmente tentar perceber, se não todas, pelo menos algumas variações sobre o que poderia estar o autor tentando dizer enquanto escrevendo, e se conhece o autor pessoalmente ou de outras obras, tentar alinhar, dentre as possibilidades, aquelas que se alinhem com a linha conceitual do que entende sobre o autor. Um autor, em um comentário ou em um texto, não muda radicalmente de comportamento, sua intenção na composição deve se alinhar com sua história político, humana e social. É claro que um autor, como ser humano pode, e deve, mudar de opinião (sempre que novas evidências, novos conhecimentos, novos fatos históricos sejam percebidos pelo autor), mas se falamos de uma pessoa minimamente comprometida com o interlocutor, o autor se preocupará em explicar as causas de sua mudança de opinião, quais foram as razões, quais as evidências, quais as novas situações que o levam a ter agora uma postura diferente do que tinha anteriormente, sob pena de se assim não o fizer, deixar seus interlocutores sem entender o que está acontecendo. 

E quanto a mim, será que eu penso no que falo e no escrevo, ou será que me iludo apenas por uma questão de não me ver como um alienado, como displicente, como sem maior compromisso com meus interlocutores, com minhas posições em relação ao que realmente penso, e ao que falo ou escrevo. Será que apenas tento brincar comigo mesmo e gastar o tempo “descompromissadamente”? Sinceramente espero que não!!!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Livre arbítrio

O sábio é um egoísta que deu certo

Nem sempre o verdadeiro há de ser real