Irreal subjetividade

Aquele que formaliza subjetivamente um fenômeno, qualquer que seja ele, sem algum lastro real, sem algum fato que o suporte, não envolvendo “acontecimentos ou episódios” reais, acaba por visualizar e perceber um mundo “embaçado” pela imaginação, filtrado, ou pintado em cores distorcidas e enganosas. Daí, para que aceitemos fatos impossíveis, como verdadeiros, é um pulo, e isto, simplesmente por serem, estes fatos sem conhecimento de suas engrenagens reais, factíveis de serem construídos mentalmente, e isto nos ajuda a confundir as possibilidades do real, com as possibilidades do subjetivo mental, e assim, acaba por decorrência natural, ao longo do tempo, nos levando à um irrealismo. É fato que percebemos as coisas através de nossa subjetividade, e é fato também que independentemente das qualidades secundárias, que percebemos, existem as qualidades primárias, que requerem muito mais esforço para serem obtidas, extraídas ou afloradas. 

As qualidades secundárias são muitas vezes confundidas com as primárias, uma vez que percebemos facilmente aquelas qualidades secundarias, enquanto que a maioria das outras vezes, nem chegamos perto de perceber as qualidades primárias.


As qualidades secundárias são aquelas percebidas subjetivamente como constructos mentais, em nosso subjetivo ser, tais como os aromas, as cores, o sentimento de calor e frio, a umidade, o medo, a alegria, ou a “intenção”, que não existiriam sem um ser senciente que as processasse mentalmente. As qualidades primárias são aquelas inerentes diretamente a existência do real, aquelas que realmente definem e qualificam as coisas, e que muitas das vezes não percebemos sencientemente.  O mundo real é repleto de “coisas” que “possuem” qualidades primárias, mesmo que não percebamos boa parte delas, mas que devemos, necessariamente, buscar, procurar e desbravar.

Um realista não renega os constructos mentais, que em si são processos reais, muito menos nega as sensações sencientes construídas da realização mente-corporal derivadas de, ou responsáveis por, qualidades secundárias, da mesma forma que um materialista não renega ou renuncia a existência da subjetividade, apenas sabe o lugar exato dela, no mundo mental. Um realista sabe que além, e acima destas sensações, têm de existir qualidades primárias que necessitam cientificamente serem buscadas, tendo em mente que conceitos teóricos, como teorias ou mesmo a matemática, sempre nos dirigirão pela busca destas qualidades primárias, que definem as coisas reais.

Eu entendo que o dia a dia nos faz confundir acontecimentos, eventos, fenômenos, e passagens, com objetos, fatos, dados, elementos e processos, mas imaginar como os fenomenalistas mais radicais, que o universo não existe de forma real, e que é apenas e tão somente a coleção de perceptos mentais de fenômenos, implica que o mundo seria, assim, ilusório, e mais ainda, que o universo não seria um, mas múltiplos e infinitos, uma vez que pessoas diferentes  podem, e muitas vezes possuem, percepções diferentes, algumas vezes antagônicas de cada mesmo fenômeno.

Irreal subjetividade, real enquanto subjetividade, mas irreal, muitas vezes, enquanto representação verdadeira de algo real.


#ateuracional

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