Já que nascemos

Ao nascermos nos expomos por completo à realidade da existência. Assinamos um pacto vital com a morte, e a reciclagem final será nosso destino natural.

Realizamos a frágil, complexa e, a muitas vezes, incontrolável experiência do viver, mas realizamos também a maravilhosa e única experiência deste mesmo viver. Não nos é dado a capacidade de viver por outrem, nem de que outros por nós vivam. O viver é uma relação biunívoca, entre sermos e existirmos, entre experimentarmos e realizarmos, entre sentir e realizar, mas principalmente entre nós mesmos e o universo exterior, relacionamento este que somente é possível pela realidade de nossa existência, e pela existência da realidade do que nos cerca, e sempre pela pura realização de nosso viver.


Não pedimos para nascer, não nos foi dada a opção pelo nascimento. Mas já que nascemos, e passamos pela infância, e de alguma forma chegamos a ser homens e mulheres, resta-nos apenas tentar nos encontrarmos conosco mesmo, sendo unos com nossa humanidade e com a natureza, buscando um equilíbrio na multiplicidade de nós mesmos, da mesma forma que devemos buscar o equilíbrio na multiplicidade do relacionamento com a realidade física, social e humana, todas naturais, tudo natureza. Resta-nos o direito e o dever de realizar nossa experiência do viver em felicidade, pela construção do amor, pela dignificação da humanidade, e pela harmonização do animal, com a descoberta do humano, do equilíbrio entre o desejo instintivo com a vontade humana, e finalmente pelo encontro do amor com a razão, e da razão com o amor.

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