O pensar

O pensar é sempre pessoal e subjetivo, sinceramente não sei se o termo subjetivo tenha por si só o alcance de toda a funcionalidade neural que nos faz pensar. Todos, pelo menos os com mínima saúde mental, sabemos o que seja pensar, mesmo que defini-lo, ou descrevê-lo funcionalmente, não seja uma tarefa fácil, se é que é possível, em toda a sua abrangência do pensar. O que importa é que pensamos, e que em geral temos a impressão que dominamos o pensar, ou se não o dominamos, cremos ser possível domar o pensamento, como se pensar fosse sempre um ato consciente. De qualquer forma, pelo menos em parte, podemos ter uma atitude algo “displicente” no pensar, e o podemos fazer como se fossemos mero espectadores do pensar, ou por outra vez, ao menos, como parcial construtor do que pensamos, como se tivéssemos total consciência sobre este pensar. Desta forma poderíamos assim pensar sem verdadeiramente ser o eu que pensa, apenas deixando que os pensamentos fluam, que nos induzam, que nos encantem ou assustem, ou nos pervertam o próprio pensamento, como quase autômato, passivo, de forma que pensando que somos aquele quem permite o pensar, na verdade muitas vezes acabamos pensando muito do que desejam que pensemos, e pensando assim, que somos o pensador ativo que autoriza este pensar fluído e automático, não nos vemos como passivos agentes nem mesmo neste tipo de pensar. Podemos também pensar como se fossemos verdadeiramente o eu que conscientemente direciona, controla, e dá forma lógica, racional e consciente a este pensar, neste tipo de pensar podemos questionar o que pensamos, e pensar no que questionamos. Será que a maioria das vezes somos iludidos pelo mesmo complexo pensar, e acabamos apenas fingindo que pensamos, pensando o que já está mentalmente pensado, e acabamos, de vez, por nos enganar que estamos no controle do pensamento, quando de verdade apenas pensamos naquilo que já foi pensado? 


Se não penso para agir e transformar, se não penso para me revoltar pelo que de desumano a sociedade real constrói, de nada me adianta pensar, tendo eu total controle sobre o pensar ou não, sendo também sem valor pensar sem agir. Pensamento sem ação e transformação é como sonhar, pode ser belo, lindo, complexo, brilhante, lógico, coerente, racional, mas de nada serve para o mundo, serve apenas para me iludir de que basta pensar.


Por isto pense, mas pense para agir, para transformar, para reconstruir um social humano digno e livre de pensamentos amarrados, limitados por catequese, bloqueados por preconceitos, e mesquinhos frente a pujança do que podemos realmente pensar e agir.

Podemos ser seres pensantes, mas necessitamos ser seres agentes pensantes, ativos e ousados que pensam suas atitudes e suas ousadias...


#ateuracional

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