O retorno do que já fomos


Floresce sempre na alma
O retorno do que já fomos.
Mesmo sendo hoje diferentes
Somos parte o que já um dia fomos.
E por mais que nos transformemos
Manteremos, impregnado, parte deste que já fomos.
E mesmo sendo parte do que já fomos
Podemos ser hoje, parte diferente, daquele que já fomos.

É mais complicado do que parece, sendo ao mesmo tempo simples em parte ,e impossível no todo, somos eternos mutáveis não somente em nossa percepção do mundo, mas também em nossa realização como seres algo sencientes, entretanto inconsciente em muito do tempo. Somos ao dormir diferentes daquele que fomos ao acordar. A transformação é uma das características humanas, porem algumas essências estão, ou parecem estar, indelevelmente enraizadas em nosso ser, simplesmente porque somos parte natureza (genética), e somos parte o que construímos e adquirimos (fenótipo), e assim nosso cérebro, arcabouço estrutural de nossa mente e dos seres que nos compõem, “se programa”, na verdade sem finalidade alguma, construindo circuitos neurais que mesmo com toda a plasticidade deste mesmo cérebro, muitas vezes faz parte, e outras passa a fazer parte, de nosso circuito neural de base.


Parte não mudamos por que não conseguimos, ou porque não desejamos, parte não nos transformamos porque somos omissos, temos preguiça, temos medo do novo e do diferente, parte porque somos coniventes, parte outra, simplesmente por nossa desumana forma de ler o social que nos cerca, parte pela ganancia, parte pela nossa petulância e arrogância, e parte por algum interesse, que muitas vezes negamos ter.

Como humanos somos transformáveis, mas tomemos cuidado pois somos também moldáveis, e a sociedade, o poder político, econômico e religioso, além de muitas ordens seculares, tudo fazem para nos moldar, e não para nos transformar em revolucionários ousados de nossa própria humanidade, na descoberta do verdadeiro amor e da dignidade social e humana, sem abrir mão de nosso poder racional, analítico e lógico. 

Temos tudo para sermos verdadeiros homo sapiens, mas na maioria das vezes não passamos de reles homo “demens”. Somos mortais, e assim passageiros de uma única e breve jornada, antes disso nos desvalorizar, isto é motivo de maior valor, pois que a maravilha da vida e o quase milagre de podermos existir, deve por si só ser motivo e motivação para buscarmos nos transformar em humanos de verdade.

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