Problemas de gênero

O problema do gênero está infiltrado em toda a sociedade e perpassa todos os níveis. É preciso que nos exponhamos para quebrar a relação que de alguma forma sustenta e mantem, muitas vezes inconscientemente, a preconceituosa forma de se relacionar com a questão de gênero, e de se relacionar com os gêneros em si. O assédio é um dos muitos problemas, e não somente o assédio direto, quase ofensivo e forçoso, mas também aquele tipo de assédio disfarçado, quase invisível aos olhos dos outros, mas claramente sentido e “sofrido” por mulheres. Apenas como exemplo, citarei um, bem transparente, imperceptível pelos pares, de alguém vencedora em sua vida, mas que ao longo do tempo tem convivido com parte desta cultura sutilmente manchada por preconceitos ou por “dominação”. Claire Pomeroy, médica, é presidente da fundação Albert e Mary Lasker, dedicada ao avanço da pesquisa em medicina, ela comenta que admirava um professor, e quando estava para se formar, se sentiu honrada com o convite dele para um jantar de comemoração pelo final do curso, e que ao final do jantar, enquanto ele a acompanhava até a casa dela, ele a abraçou, e ela rejeitou claramente o abraço, ele aparentemente aceitou a rejeição, mas quando viu a avaliação final dele, ela havia mudado de excelente para unicamente aprovada. Ela comenta mais, que depois deste fato passou a perceber que muitas das suas colegas de curso abandonavam suas carreiras em medicina.


Uma estatística de 2009, oficial, mostra que apenas um terço dos professores assistentes, e um quinto dos titulares eram mulheres em campos relacionados a biologia, apesar do número de formandas em geral ter crescido desde 1969 que era de 15%, chegando em 2009 a 52% de formandas mulheres nestas áreas. Nas faculdades de medicina, as mulheres ocupam apenas cerca de 15% nas chefias, e 16% nas diretorias. “O problema não é somente o assédio direto, é uma questão de cultura de exclusão e preconceito, muitas vezes inconsciente, que deixa muitas mulheres se sentindo desmoralizadas, marginalizadas e inseguras”, “O preconceito inconsciente também aparece na forma de “microataques” que as “cientistas” são forçadas a suportar diariamente, é a interminável barreira das brincadeiras sexistas, supostamente insignificantes para os homens, mas que contem diluídas, misturadas, e disfarçadas, insultos, humilhações, que vão se acumulando ao longo dos anos e acabam por minar a confiança e a ambição de carreira em muitas mulheres”, falou a Dra. Claire. Eu acrescento que o mesmo vale para quaisquer diferenças de gênero, não somente para o feminino, mas para homossexuais, transexuais, e afins, e acrescento mais ainda, que esta situação não é somente em cursos ou carreiras científicas, ocorre ao longo de quase toda a sociedade.

Olhando para trás, sinto-me envergonhado por crer que eu mesmo, sem a percepção que hoje tenho, posso ter acabado sendo um daqueles que não soube ser humano o suficiente no tratamento da relação com outros gêneros, por isto me desculpo publicamente por todo e qualquer comportamento desumano que possa ter, no passado, praticado.


#ateuracional

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Livre arbítrio

O que somos?

Uma breve história, da semelhança à genética, e como a igreja se usou desta visão

Apenas uma teoria? Como muitos podem ser tão ingênuos, doutrinados ou interesseiros