AMIGOS

Amigos são raros, especiais, e nem por isto menos complexos. Amigos são seres humanos e o sendo realizam múltiplos seres pessoais, e são o resultado de uma complexa rede neural. Garimpar amigos é algo que requer vontade e que merece atenção, respeito, compromisso e dedicação.

Aquele que acredita ser a amizade algo que de tão simples não necessita alguma dedicação e muito respeito humano está errado quanto ao que significa realmente construir e manter uma amizade. O compromisso honesto em construir e manter uma amizade são imprescindíveis. É verdade que no fundo sou eu quem escolho os meus amigos, escolho-os exatamente pelo compromisso que eles assumem para ser o que são, não pelo que eu gostaria que fossem, ou porque me seja simplesmente agradável estar com eles, ou menos ainda porque em algum momento me ajudaram ou podem vir a me ajudar (na escolha do amigo, na construção da amizade, não há troca, há doação). Devo ter firme em mente que a escolha do amigo passa ao largo da perfeição, mas passa bem próximo ao comportamento, e ao que de digno representem. Escolher os amigos é a parte mais simples, mais fácil ainda pois que do amigo escolhido não espero retorno algum, não espero sequer que ele me escolha como seu amigo, eu o escolho pelo que ele é para a sociedade, para a humanidade e para o compromisso de viver uma vida do bem. A parte difícil inicia-se imediatamente após a escolha, que é a dedicação na construção desta amizade, e que deve passar pela demonstração de confiança, e pela necessidade de compromisso com a sua manutenção, mesmo que a distância (uma amizade não pode morrer, diminuir ou ser afetada pela distância, ela não pode ter seu potencial de plenitude medida pelo inverso do quadrado da distância, uma amizade deve se basear em conceitos de vida, em respeito à vida e a todos os viventes, por isto ela independe da proximidade ou da distância). O distanciamento em si, temporário ou longo, deve afetar a amizade apenas pela saudade sincera do amigo que não pode estar presente fisicamente, mas que tão logo se juntem, pareça não ter havido distanciamento algum. Da mesma forma que uma amizade é construída, ela pode ser destruída, intencionalmente ou não. Não é porque eu escolhi alguém para meu amigo (lembremo-nos que na escolha os exemplos de vida dele foram um fator importante nesta escolha), que se este alguém, exatamente no exemplo de vida que tinha e que me fez escolhê-lo para meu amigo, passe a não mais ter dignidade humana, passe a não mais ser aquele que mereça minha amizade, que devo me esforçar para continuar a manutenção desta amizade. É claro que como amigo, devo tentar entender o porquê de tal mudança, devo buscar tentar ajudá-lo a retornar ao caminho anterior, devo me expor nesta luta pelo resgate do que ele já foi um dia, mas se apesar de todos os esforços, ele não se mostrar interessado nesta volta, não serei eu que manterá a amizade com alguém que se perdeu no caminhar. Como “ex” amigo, cabe-me continuar, de todas as formas dignas possíveis, buscando trazê-lo de volta ao sentimento e a realização de um ser minimamente digno, lembremo-nos que a amizade não implica na busca de um humano perfeito, mas sim de um humano digno.


Seria ignorância minha não achar que uma amizade correspondida, aquela em que pela construção e pela manutenção, consegui que fosse também por ele escolhido como amigo, tem uma força enorme, tem um sabor muito forte, mas volto a dizer que aqueles que escolho para amigos, não carregam nenhuma obrigatoriedade de retorno algum. Eu os escolhi pelo que são, e não pelo que pensem de mim.



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ateu
Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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