Palavras

Palavra(s)

A palavra possui uma força enorme, por ela conseguimos nos entender, conseguimos trocar ideias, discuti-las e aprender com esta discussão, conseguimos nos convencer ou convencer aos outros, por ela também buscamos verdades, mas também por ela podemos encontrar ou promover mentiras, convencimentos espúrios, e amedrontar. A palavra é uma ferramenta no uso da argumentação, mas por ela podemos distorcer verdades, podemos iludir aos outros e a nós próprios. Pelas palavras podemos tanto dar direção, como podemos enganar, podemos dar apoio como podemos machucar, podemos ajudar como podemos destruir, tanto podemos trocar experiências como podemos mascarar experiências, assim a palavra pode ser uma aliada da dignidade humana ou pode ser uma poderosa armadilha tanto para quem a usa como para quem a ouve. As palavras são símbolos, como o são, imagens, desenhos, e gestos, mas possuem flexibilidade e dinâmica de em tempo quase real, servir de armadura na defesa de algo ou de alguém, mas pode também servir de arma na ofensa, destruição e humilhação de outros. Sua flexibilidade e dinamismo permitem que com ela reforcemos ou aliviemos o sentido, que troquemos de rumo, ou que distorçamos e maquiavelicamente enganemos os outros. As palavras, em si, do ponto de vista teórico, são meros símbolos, que não possuem maior valor, mas quando argumentadas, coordenadas na fala de alguém, ou nos escritos de outros, ganham uma espécie de força viva, quase real, que passam a ser proprietárias de valor que soltas, como meros símbolos, tendem a não possuir.

Palavras não possuem brilho próprio, o seu brilho é meramente relativo, e este as acompanha não por si só, mas pelo sentido dado a elas pelos interlocutores, de forma oral ou escrita. Palavras iguais, ou mesmo sentenças iguais podem possuir diferentes forças e até mesmo sentidos diferentes, dependendo do momento, do escopo, e do direcionamento dado, e em seu caso extremo, podem inclusive passar sentidos opostos. Frases e palavras sem uma contextualização do momento, das pessoas envolvidas e do assunto envolvido, e sem uma contextualização histórica, geográfica, social e cultural clara, não podem servir de argumentação de valor, posto que avulsas, palavras ou sentenças, nos impossibilitam de perceber o seu total, pleno e real sentido passado. Algumas vezes, mesmo sob boa contextualização, palavras e sentenças podem possuir interpretações variadas, e como nos é impossível penetrar na mente dos falantes, a maioria das vezes existirá margem para dúvidas sobre o real sentido de valor e de verdade do falado.


Agora um homem de bem é aquele que sempre possui palavras e sentenças que busquem dignificar o humano e o social. Homens de bem, mesmo quando necessitam passar verdades dolorosas, procurarão formas e meios para expor com humildade, respeito humano, amor e tranquilidade o que precisa ser dito, jamais indo além do minimamente necessário para dar sentido claro, humano e ético ao expressado. Verdades são sempre preferíveis as mentiras, mas verdades que maltratem a dignidade humana, e que tendam a não mudar nada a realidade, podem ser postergadas até o último momento. Um homem de bem não se reveste de defensor da verdade absoluta para proferir verdades não necessárias e que possam maltratar ou ferir sem necessidade um irmão.


Palavras são um “elixir” poderoso, mas são também armas mortíferas, podem funcionar como balsamo ou como projeteis letais. Uma palavra, ou uma sentença, podem engrandecer o humano e o social, mas podem humilhar, ofender e maltratar irmãos. O mesmo vale para textos escritos, palavras são sempre meios poderosíssimos de construção e apoio, ou pelo contrário de destruição e ofensa, desta forma devemos ter respeito, humildade e coerência no uso desta ferramenta poderosa de comunicação.


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ateu
Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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