Presente sem passado

Não é possível viver a realidade do momento presente sem os respingos do passado e sem os impactos no presente do caos geral que é a realidade. Se hoje existo, os momentos presentes já vividos, por mim e por todos os outros “insistirão” em me provocar e desafiar, tornando meu ser e o meu viver reflexo do que já fui, do que realizei e do que todos os outros também já foram e realizaram.

Posso viver sem futuro algum, mas jamais posso existir à margem do que já fui um dia e do que cada momento passado, mesmo os não meus, já foram também. Meu momento presente estará para sempre, direta e indiretamente, entrelaçado com os momentos passados de todos os outros. 

Independente? Nunca, mesmo no pensar não sou totalmente independente, posto que sendo muitos, sou reflexo deles todos, e não existe consciência que me faça ter o controle de tudo que sou e do tudo que faço, meu subconsciente é um mundo aparte da minha realidade, da minha consciência e do meu livre arbítrio, e mais além disto ainda, sou, pelo menos parcialmente, influenciado pelo que vivi, pelo que presenciei, pelo que aprendi, e pelo que a sociedade me impingiu relacionar-me.


Sou assim fluídico e mutável, com um cérebro plástico me transformo na força do que experimento, do que viva, do que deseje ser, do que pense, e do quanto ame viver, me transformo pela ousadia de ter um cérebro aberto continuamente a mudanças, todas elas químicas, biológicas, e infelizmente algumas por doenças mentais ou por desequilíbrios químicos ou “hormonais”, mas sempre e eternamente mutável é o nosso cérebro e, por conseguinte, nossa mente e nossos “eus”, algumas vezes para melhor e infelizmente outras para pior.  Cabe-nos viver da maneira mais humana e social possível, mas cabe-nos a certeza de que jamais seremos donos completos de nós mesmos, do que somos, do que pensamos e do como agimos, mas isto não pode ser utilizado como desculpa, continuamos assim mesmo responsáveis por todos os atos que pratiquemos, ou pelos que não praticamos, quando nos omitimos frente a alguma ação que deveríamos ter tomado.

O presente é uma desesperada busca pelo futuro, entretanto quando o percebemos, quando o sentimos, o presente já é passado, vivemos nosso presente “consciente” sempre no passado, pois que como todo processamento, o subjetivo que me faz crer consciente do presente que vivo, necessita de algum “espaço” de tempo para captar pelos sentidos tudo a nossa volta, e depois mais tempo para processar tudo isso com o que estamos sentindo, fazendo, pensando, e finalmente precisa de outro espaço de tempo para elevar o resultado de tal processamento para algo que entendemos como consciência, assim, quando somos conscientes de todo e qualquer momento presente, ele já é passado (contradições realistas de uma mente super preparada para nos enganar constantemente), mesmo que muitas vezes prefiramos sentir o presente como algo que sempre avança para o futuro.



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ateu
Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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