Que valor tem uma vida

Que valor tem uma vida?
É uma pergunta para a qual não deveria haver dúvidas em responder. Uma vida deveria valer muito. Deveria valer mais que qualquer outra coisa, e pessoalmente entendo que perderia apenas para muitas vidas, pois entendo o social como mais importante que o individual, cabendo a certeza de que o social somente é possível pela vida de cada um individualmente.

Não creio em valores universais, apesar de que muito gostaria de que pelo menos alguns deles o fossem. Entendo os valores como algo pessoal e fruto da experiência própria de cada viver, eu entendo mais ainda, não entendo que tenha gosto por algo simplesmente porque este algo possua bons valores, entendo exatamente o oposto, que valorizo como positivo tudo aquilo do que eu goste ou que deseje. Apesar de não crer em valores universais, entenderia facilmente que o amor à vida deveria ser, pelo menos, uma exceção a minha crença, mas infelizmente, até mesmo neste plano, não obstante a valorização verbal, nem de perto a percebo como algo real e sincero nas mentes e atitudes de muitos irmãos em espécie. A minha leitura do mundo, serve por si só, de prova real de que o amor a vida não é, nem de longe, um valor universal.

Valorar a vida, segundo meu próprio e pessoal perceber, povoa o imaginário humano, porém não com força e verdade suficientes para transformar nossa realização do viver, quando muito, percebo que no geral muitos acabam valorando positivamente apenas as suas vidas e as vidas dos que lhes são importantes. Mesmo que no fundo todos tendam a achar correto e bonito valorar positivamente uma vida, a vida, como algo maravilhoso, sublime e vital, alguns até depositam este valor em crenças transcendentais, acabamos por expurgar, na prática, desta assertiva, o seu termo mais humano e social: “o de qualquer vida”, seja humana, animal ou vegetal. Assim, acabamos valorizando muito algumas vidas, mas não toda e qualquer vida, ou mesmo por extensão, acabamos valorizando o conceito de vida quando este envolve os que mais perto de nós estão, mas não o seu sentido maior e o seu significado mais abrangente e biológico, o da própria vida. Desta forma vários valores diferentes acabam compondo o escopo do valor que conferimos à vida.


No geral valorizamos positivamente nossa vida.
Os pais muito valorizam a vida de seus filhos.
Os amantes valorizam muito a vida de seus amores.
Os amigos valorizam muito a vida de seus amigos.
Os colegas acabam valorizando também positivamente a vida de seus colegas.
Os professores, em geral valorizam a vida de seus alunos, e assim por diante.

Em geral integramos grupos: religiosos, estudantis, profissionais, torcidas, grupos políticos, grupos místicos, grupos seculares e etc. E assim de forma geral valoramos positivamente a vida destes integrantes, que conosco dividem cada um destes grupos.

Mesmo fora de nossos grupos de atuação mais direta, existem outros grupos que integram nossa existência, muitos deles grupos de nossos interesses ou necessidades, grupos algumas vezes que sequer temos consciência de que integramos, e que acabamos valorizando as vidas destes integrantes também. Talvez vizinhos, colegas de bairro, de nacionalidade, de naturalidade, colegas de clube, de academia, de teatro, de bibliotecas, de transporte entre outros, e acabamos também valorizando um pouco menos, mas valorizamos a vida destes.

Agora, a vida de estranhos, de inimigos, daqueles que não professam nossa fé, daqueles que não compactuam com nossas crenças místicas, seculares, naturais ou sobrenaturais, a todos estes, acabamos por não valorar ou valorar muito pouco a vida deles. Pior ainda se eles integram a classe dos excluídos, dos abandonados, dos desamparados, dos miseráveis, dos explorados, dos que sofrem perseguições por opções sexuais diferentes da nossa, daqueles que de alguma forma sofrem de preconceitos, daqueles que vivem à margem da dignidade humana e social, não exatamente porque queiram ou desejem, mas porque não encontram forças, vontade,  alternativas ou em alguns casos não encontram motivos, por terem perdido até mesmo sua autoestima e o sentido de dignidade humana, para saírem do estado em que se encontram, e assim passam a quase não terem valores vitais que nos impacte mental e socialmente.

Muitos podem torcer o nariz a este texto, mas basta olhar em volta e facilmente perceberemos seres humanos largados à miséria e ao desprazer e ao dissabor da existência humana, e ainda por cima nos eximimos de culpa e praticamente passamos a eles próprios a culpa pelo seu estado de existência desumana. Tenho plena certeza que o que vale para a maioria não vale para todos, mas no geral ainda são poucos aqueles que realmente sofrem pelo sofrimento dos outros, quaisquer que sejam estes outros, mas não é motivo para desistirem, e devem continuar sua revolta e sua luta, solitária em alguns casos, e mal-entendida por outros, na busca de algum esclarecimento humano e social que possa um dia transformar nossa sociedade, primeiro pela transformação de cada um de nós.


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ateu
Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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