A necessidade premente desconhece intenções

Do ponto de vista daquele que necessita, do muito pobre, do miserável, do que passa fome, frio, do que sente dores, do que necessita de ajuda ou de tratamento, toda e qualquer ajuda é sempre bem-vinda, pois que a necessidade é premente e não possui, em geral, forças ou razões para filtrar qualquer tipo de ajuda. Para estes seres vivos, humanos ou não humanos, o que menos importa nestes casos de necessidade premente é se preocupar com as intenções, com os motivos, com as causas que levam alguém a ajudar, pois que a ajuda em si é, naqueles momentos, tudo que precisam para alguma maior sobrevida. Não lhes interessam, em geral, se a ajuda é sincera, humana, sensível, se o que lhe estão a fazer é real sentimento caritativo, ou se por outro lado estão a fazer por interesses outros, por vaidade, desejando aparecer, por algum sentido de prepotência que lhes levam a sentir prazer por perceber que o necessitado está submisso à sua ajuda, por alguma arrogância que lhes fazem se sentir poderosos ao ajudar. Sinceramente, no momento emergencial de fome, frio, dor, sofrimento, e necessidade, toda ajuda é sempre bem acolhida e bem-vinda, e pouco importam as intenções. O problema está no depois, no transcorrer natural do presente contínuo, aqueles que ajudam por interesses, por vaidades, por arrogância ou prepotência, não possuem interesse algum que ocorra qualquer transformação que pudesse pôr fim aquela situação, pois que no fundo aquela situação lhes é de alguma forma interessante. Aqueles que ajudam pelo amor à vida, de forma sincera, sensível, humana e caritativamente, podem até mesmo nada fazerem para uma mudança, para uma transformação efetiva (pois que cabe sempre lembrar que a caridade, evidentemente necessária, frente a premência da fome, do frio, da dor e das necessidades, nada em si transforma por si só, no seu extremo até ajuda a perpetuar a situação, mas isto não pode servir de desculpa para que não se ajude emergencialmente a todos que necessitem), mas no fundo, entendo que pelo menos, acabam por torcer que aquela situação realmente poderia, e até mesmo deveria, acabar, e que alguma mudança deveria ocorrer. Uma parcela destes são realmente peregrinos atrás de uma mudança, se colocam ousadamente como agentes de transformação, se emprenham, mesmo com todos os riscos de serem mal entendidos, de serem mal vistos, como aqueles que ousam se lançarem de corpo e mente, de físico e alma pensante, na luta, na busca, na tentativa de conseguir tocar a mente e o coração dos demais de que é necessário conseguir-se mudanças políticas, econômicas, até mesmo religiosas para que a doutrina do bem viver possa ser algo comum, refreando a sede natural por riquezas, bens desnecessários, por poder, e assim por diante. Uma conscientização inclusiva, igualitária, humanitária, social, deve ser cada vez mais comum às nossas sociedades, se realmente desejamos deixar de necessitar ajudar caritativamente, para compartilhar com eles, com todos eles, de momentos e realidades realmente dignas do que somos, ou do que deveríamos realmente ser, humanos.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.


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