Amante da Ciência, conheci a Filosofia

Amante da ciência, sei que somos seres em eterna transformação mental. A experiência da realização de nosso viver, seus aprendizados naturais ou culturais são como fermentos que interagem diretamente com o que agora somos, de forma que decorrente da realimentação mental positiva constante a que somos forçados naturalmente, sofremos constantes “redesenhos” em nosso circuito cerebral, e assim somos a cada instante do momento presente que realizamos, um pouco diferentes do que fomos no instante presente que acabamos de realizar.

Entendo assim que muitas, complexas, e em muitos casos inimagináveis, são as causas de nossas transformações, somos parte determinados pela genética que trazemos, parte somos também decorrentes do que desejamos ser, mas outra boa parte do ser que somos é devido a nossa interação com o meio. O resultado final não são três seres diferentes, mas sim um “mix” múltiplo de seres que são em sua totalidade, o resultado complexo desta interatividade completa e complexa, sempre integrada do que nosso desenho mental interage e como é interagido com as experiências exteriores, nos dirigindo inconscientemente também ao que desejamos ser. Não podemos deixar de imaginar que as três “situações” (minha genética, minha experiência externa e meus desejos) afetam e reconstroem continuamente o meu “estado” global e final do que e do quem sou.

E assim não foi diferente em minha jornada de amante apaixonado pela ciência, em especial pela ciência teórica, para chegar a um apreciador bastante encantado pela Filosofia (aquela Filosofia séria com F maiúsculo que visa o encontro com a verdade, se não total, porem parcial, o que também é causa primeira de toda a ciência, e também pela busca da felicidade, no meu caso em especial uma felicidade social e natural). Muitas devem ter sido as causas, mas duas me chamam muito a atenção, e são elas: 


A busca pela verdade: Talvez erradamente, contudo sem jamais abrir mão de que apenas a experiência é o verdadeiro divisor de águas entre teorias em desenvolvimento, possíveis ou não, e a verdadeira ciência, acabe valorizando mais a ciência teórica do que a experimental-laboratorial, sabendo que mesmo na ciência teórica será necessário depois uma “ida” a algum tipo de laboratório para experimentação, conformação, e confirmação, ou refutação, entretanto a ciência teórica permite (quase necessita) uma liberdade de raciocínio de buscas e de modelagens, o que possibilita ao cientista teórico ser um pensador e o deve ser de forma livre, e este foi um passo natural para me aproximar de uma filosofia séria. 

Ter conhecido a produção intelectual de alguns pensadores: Talvez inteiramente decorrente da causa anterior, enquanto me via imerso, envolto, focado em minhas pesquisas percebi que alguns cientistas puramente experimentais tiveram certa dificuldade em abraçar novas linhas teóricas que se apresentavam, como no caso da relatividade, e assim, incluindo parte de sua “historiografia”, percebi como os cientistas laboratoriais foram mais reticentes em perceber a beleza e a força da teoria geral da relatividade, sendo que os primeiros a apoiarem esta revolução foram os matemáticos (capazes de abstração por definição), e os astrônomos (em especial os que buscavam estudar as origens do cosmos (cosmogenese) e sua parte macro existencial). Neste caminhar, em minhas pesquisas conheci três matemáticos exemplares, Bertrand Russel, David Hilbert e Poincaré, e um filosofo da ciência Karl R Popper, destes quatro, dois em especial moveram transformações rápidas em meu cérebro, Bertrand Russel e Henri Poincaré. Bertrand Russel, Filósofo analítico, matemático, “pai” da lógica assertiva “moderna”, pensador livre, revoltado social, transformador do establishment existente, logo me encantei com ele. Em Poincaré me apaixonei pela profundidade de suas análises e pela simplicidade com que fazia parecer estudar coisas que eram na verdade complexas. Deste momento em diante passei a olhar a Filosofia de uma forma apaixonada e passei a vê-la como ferramenta necessária, mas não suficiente, na busca da verdade e das transformações sociais necessárias.

Quanto mais conhecia o Bertrand Russel, mas o respeitava como matemático e pensador, e quase o reverenciava, apesar de por definição não ter apreço nenhum por reverenciar quem quer que seja, posto que não tenho ninguém por perfeito e não aceito seguir alguém apenas por qualquer autoridade que seja, todos estamos fadados ao erro e somos, pelo menos, indiretamente, movidos por interesses pessoais, o que não justifica que eu tenha que reverenciar, aceitar como verdade absoluta, ou mesmo seguir quem quer que seja, mas sou obrigado a afirmar que o respeito à pessoa (as suas ideias e atitudes, não me interessando em especial a sua vida particular) de Bertrand Russel era, e continua sendo, algo muito forte. Me via nele como em um espelho falho, ou melhor, pelo menos, pelo espelho me via nele como eu gostaria de ser.

Vou reproduzir abaixo uma pequena sentença de sua autobiografia que muito me encanta, simples mais direta:
“Três paixões simples, mas avassaladoras: governam a minha vida: a ânsia de Amar, a busca de conhecimentos, e uma imensa compaixão pelo sofrimento humano, essas paixões, como ventos fortes, sopram-me de um lado para outro, traçando um caprichoso curso sobre um profundo oceano de angústia, atingindo mesmo a beira do desespero...”.

Minha revolta pela situação social dominante nasceu muito cedo, ainda jovem experimentava esta revolta, mas diferentemente de minhas crenças religiosas que também como jovem, as tinha com algum fervor, a ponto de dedicar muitas horas de verdadeiro estudo, minha revolta permaneceu e minhas crenças se esvaíram passo a passo. A realização de meu viver me levou ao materialismo, sempre buscando uma racionalidade crítica, além de muito amar a humanidade pela própria humanidade, e possuindo fortes pinceladas de ceticismo, de realismo, e de vontade de aprender, de conhecer e de chegar um pouco mais próximo da verdade. Esta revolta sofreu ao longo do meu viver transformações, como era de se esperar, pois meu viver e minha mente sofreram continuamente transformações, mas foi com Bertrand Russel que pela primeira vez consegui dar lógica e racionalidade a esta revolta.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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