Confundir temporalidade com causalidade

Muitos de nós, inadvertidamente acaba confundindo temporalidade com causalidade. Nossa mente evoluiu ao longo de vários milhões de anos em um mundo complexo em sua realização e, aliado a necessidade mental de sempre buscar padrões, uma vez que nos é muito desconcertante perceber eventos aleatórios, sem evidências de padrões ou causações, nos faz em muitos casos confundir sequência temporal de eventos com causas e efeitos destes eventos. Esta situação fica potencializada quanto mais supersticiosos formos nós, mas mesmo aqueles que se julgam céticos ou racionais, muitas vezes tropeçam nesta pegadinha mental, neste bug cerebral, e acabam por imaginar que eventos primeiros sejam causas “naturais” dos eventos segundos, e estes sejam assim decorrentes diretamente de efeitos daqueles.

Causação é muito diferente de sequência de eventos, sequências de eventos ocorrem naturalmente na realização de nosso presente, causas podem ser infinitas, existem causas diretas fáceis de serem percebidas, existem também causas que mesmo sendo diretas são muito difíceis de serem percebidas, agora, como a realização do viver e a existência natural é extremamente entrelaçada, e pela característica caótica do real, muitos e muitos eventos indiretos são causas de efeitos atuais, algumas causas podem vir desde muito tempo atrás e de lugares “tempo-espaciais” diversos, que nunca chegaremos a percebê-las como causas. Apenas para permitir que pensemos um pouco, lembremo-nos do que é comumente chamado de efeito borboleta: “O bater de asas de uma borboleta em Santa Teresa pode participar do desencadeamento de um tufão na costa leste Americana”.


O simples fato de algo ocorrer antes, mesmo que imediatamente antes, não é causa do que ocorre depois, mesmo sem entrar na discussão do que seria realmente antes ou depois no espaço-tempo relacional. Se logo após de você ouvir uma música algo importante acontece, de bom ou de triste, este importante acontecimento não aconteceu (pelo menos não necessariamente) porque você ouviu a tal música. 



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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