Conscientes

Jamais seremos conscientes por completo ou mesmo jamais nos conheceremos por inteiro, não importa o quanto nos esforcemos, ou o muito que desejemos.
A consciência é sim uma parte importante, mas mínima em nosso existir, em nossa realização deste existir, nossa mente trabalha ativamente de forma inconsciente, muitos são os processos “zumbis” que totalmente desconhecemos, e é bom que assim o seja. Quanto a nos conhecermos, plena e exatamente como realmente somos e o que nos compõe, é impossível de consegui-lo, isso não significa que não devemos tentar nos conhecer pelo menos na capa superficial que a consciência nos permite acesso. Parte de nossos processos mentais ocorrem muito abaixo do que conseguimos ter acesso, de forma invisível para nossos sentidos conscientes. Temos acesso a eles somente pelo resultado final de seu trabalho. Somos todos seres múltiplos e complexos, somos também seres em contínuo “redesenhar” de sinapses, criando novas, eliminando outras, enfraquecendo ou reforçando outras mais, e desta forma nunca somos exatamente o mesmo que já fomos, e nossos vários “eus” se multiplicam e trabalham ativamente em paralelo, em uma espécie de democracia dos “eus”, onde a porção mediadora de nosso cérebro atua incessantemente. Como já dito, uma vez que somos mentalmente plásticos acabamos por estar em constante “mutação” mental, e ao dormirmos já somos diferentes do quando acordamos pela manhã.

Isto não significa, e nem pode significar, que não devamos tentar nos conhecer, e ao mesmo tempo buscar alguma consciência de nós mesmos, talvez tenhamos apenas que mudar um pouco o conceito do termo “nos conhecer”, posto que apenas poderemos ter insights do que somos, e perceber nossas ações, sem jamais nos conhecermos por inteiro. Só poderemos aumentar nosso “conhecimento” de nós mesmos com a ajuda da verdadeira ciência que nos permitirá conhecer como funcionamos, mas talvez jamais ela seja hábil o bastante para nos mostrar quem realmente somos em todo nosso potencial.

A frase “conhece-te a ti mesmo” é uma bela composição semântica, mas é falsa, ou no mínimo insuficiente no que se destina, posto que viveremos eternos buscadores de nós mesmos sem jamais nos conhecermos por completo.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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