Limites do mundo como nossos preconceituosos limites pessoais

É muito comum que confundamos os limites que acreditamos ter o mundo, tanto espaço-temporal quanto estrutural, com os meros, limitados, e muitas vezes preconceituosos limites do alcance de nossa visão deste mesmo mundo.

Aos poucos, pensadores, estudiosos, pesquisadores, e curiosos seres humanos, vêm, cada um à sua capacidade e forma, construindo uma visão mais global, natural, e profunda desta realidade, participando, como todos os demais, da contínua transformação das sociedades e da civilização. Os pessimistas praticamente nada construíram para a civilização, muitos não tiveram a coragem de sequer saírem de seus casulos e não realizaram a transformação científica do saber que continuamente adquirimos. A civilização, ao longo do tempo sempre sofreu transformações, algumas impactadas por novos saberes e conhecimentos, outras por interesses momentâneos, e outras vezes na defesa de preconceitos e falsas verdades.

O universo é profícuo em possibilidades, hoje, acredito, que já conheçamos razoavelmente bem as regras intermediárias do funcionamento estrutural básico desta maravilha que é o nosso lar maior e da qual somos parte inseparável. Mas conhecer suas leis mais comuns, não significa conhecer toda a sua estrutura e toda a sua capacidade de nos surpreender. Darmos limites ao potencial deste universo, é natural aos limitados pensadores, que transferem sua cegueira, muitas vezes preconceituosas, para o potencial de nossa existência e da maravilha do universo.

Por outro lado, é comum que “abramos” a nossa mente, e cobremos esta mesma abertura aos demais, apenas para justificar crenças e preconceitos pessoais. Uma mente aberta e um certo que de descrença é primordial na busca de conhecimentos e na interpretação do complexo universo, mas esta mente aberta deve estar coerentemente alinhada ao saber de momento. Cada um de nós pode e deve buscar rever o saber atual sempre que novas EVIDÊNCIAS surjam para tal, ou podem também se por a garimpar novas evidências, e apenas ter o cuidado de não fazer ignorância pseudocientífica somente porque interessa justificar qualquer coisa em especial.


O conhecimento pode e deve ser revisto, mas sempre de forma lúcida, honesta, racional e crítica, e não aos interesses pessoais ou de grupos. O conhecimento é multidisciplinar e vem, no geral, em um crescente (podendo em diversos assuntos ou momentos sofrer alguma aparente diminuição, quando se refuta algo que se julgava sabido, mas mesmo nestes momentos o saber cresce, pois que passa-se a saber que aquele conhecimento em questão ou não estava completo, ou continha erros não identificados antes, e saber que algo está errado é um novo saber), e a história em geral mostra que ele se soma, e que é cada vez mais diversificado e interdisciplinar, e sofre transformações ao longo do tempo, mas cada vez menos estas transformações aniquilam conhecimentos anteriores, e sim se somam, melhor definem ou modelam conhecimentos anteriores, ou oferecem novos e mais profundos saberes, trazendo alguma transformação útil. A relatividade não destruiu diretamente a newtoniana, a quântica não destruiu a relatividade, elas se complementam em muitos casos, elas melhor se ajustam a novas evidências, e se em alguns casos se atritam é na busca de uma melhor consolidação, em geral teorias consolidadas anteriormente podem ser vistas como um escopo de caso reduzido, e podem assim continuar sendo utilizadas sempre que a margem de erro assim o permitir, um exemplo claro, fomos a lua e ainda hoje planejamos rotas de satélites e de sondas com Newton, e não necessariamente com relatividade. A teoria das supercordas pode domesticar, em especial, os atritos entre a relatividade e a quântica, mas também pode acabar se demonstrando apenas uma ferramenta matemática e não necessariamente uma revolução física. Chegamos a um estágio de conhecimento que me parece cada vez mais difícil descobrir, pelo menos em física, uma revolução tal que aniquile todo o conhecimento já adquirido, entendo sim que cada vez mais ele se somará e pode levar a alguns redesenhos de modelos, mas sem fazer da física anterior algo totalmente errado, pois tecnologicamente já vivemos dos conhecimentos físicos adquiridos, no dia a dia, e eles se mostram coerentes com o que se prestam a fazer. A quântica e a relatividade já fazem parte de nosso dia em muitas tecnologias de uso comum. Agora, devemos estar sempre preparados para NOVOS conhecimentos, pois o limite do universo é, ao meu ver, totalmente intangível para o nosso pequeno grau de conhecimento atual. Matéria escura e energia escura podem ser novos paradigmas físicos, talvez o sejam, multiversos podem ser realidades, dimensões extras podem também ser a pura realidade, a “decoerencia” pode eliminar “certas visões não intuitivas” da quântica, serão novos e desafiantes caminhos, mas não aniquilarão com o conhecimento atual, apenas abrirão novos e encantadores rincões de conhecimentos e criarão novas fronteiras a serem domesticadas entre os conhecimentos atuais como entre a Gravidade e a Energia escura, ou entre buracos negros e os possíveis buracos brancos. Coragem, ousadia, muita pesquisa séria, um que de ceticismo, e um estado de vontade própria dos que querem realmente descobrir, aprender, e melhor conhecer a realidade de nosso universo é essencial, sem transferir para este universo os limites do alcance de nossa visão deste mesmo mundo.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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