Na natureza inexistem castigos ou recompensas, tudo é “consequência”

“Na natureza, como na vida não existem castigos e nem recompensas, o que existe são apenas consequências”.
Ouso em breves palavras discordar um pouco desta assertiva que acabei de ler. Eu entendo que na natureza, sim, não existem recompensas e nem castigos, existem consequências. Consequências naturais em que a natureza sem intencionalidade ou planejamento, mas apenas como consequência de suas leis e da busca de algum equilíbrio natural de sua existência, acontece (gostaria de dizer “faz acontecer”, mas temo a interpretação de alguns como que se a natureza tivesse em si alguma capacidade de decidir fazer acontecer.). Consequências que podem até ser em decorrência de atos que fazemos com ela, a natureza, mas com certeza ela simplesmente é, ela simplesmente realiza o seu devir natural, sem castigos, recompensas, sem intencionalidade alguma, ela não revida, ou agradece, ela simplesmente “se realiza”.

Quanto a vida, sinto certa necessidade em dividir a vida em dois diferentes focos e escopos: o primeiro sendo a vida em si, sendo a biologia em ação própria, e o segundo sendo o viver, o realizar a vida humana (ou talvez mesmo a animal). 

A vida, a biologia que saltou da bioquímica, sendo totalmente natural, entendo que simplesmente sofre ou reflete também consequências, que a vida em si não tem a capacidade de recompensar ou castigar, de forma intencional, simplesmente porque não possui em si mesma esta capacidade, mesmo que pareça agir recompensando ou castigando, ela simplesmente age, reage, realiza a si mesma, sem intencionalidade alguma. Quando me alimento, me exercito, cuido de minha saúde física, a vida pode parecer me recompensar com mais saúde, mas em verdade ela está apenas dando consequência aos fatos de eu me cuidar bem, quando faço algo que me leve à desgastes físicos, à doenças, a vida em si não me castigou, por mais que gostemos de ver intencionalidade nisso, de novo, ela apenas reage ou age, apenas faz com que as consequências apareçam (de novo com o devido cuidado em não dar a vida em si nenhum sentido de intencionalidade). Agora, quanto ao viver, este sim possui intencionalidade, possui algum nível de consciência, possui a capacidade de baseado em interesses, quaisquer que sejam, bons ou maus, levar a que pessoas, ou o estado, ou organizações, ou mesmo a sociedade por meio das pessoas, corporações, grupos, organizações, instituições, levem a, entre outras ações, culpabilizar, castigar, recompensar e assim por diante.


Desta forma entendo que a frase original não é, segundo minha forma de interpretar a natureza, a vida (a essência da vida), e o viver, correta. Ela é válida para a natureza e para a vida em si, mas peca por simplicidade, e por busca de uma beleza semântica, quando inclui a vida como um todo, incluindo assim o viver. Entendo claramente que se sua leitura retirar totalmente o sentido do viver, da realização senciente do viver, passe eu também a concordar plenamente com ela, mas escrita como está, tenho a certeza que, no mínimo, vários leitores a intenderão como incluindo na palavra vida, a vida humana que levamos. Desta forma a fim de minimizar a possibilidade de tal leitura, a frase deveria ser mais específica na qualificação do termo vida. “Na natureza, como na vida ‘biológica (vida em essência), não incluindo o sentido do viver, da vida humana’ não existem castigos e nem recompensas, o que existe são apenas consequências”.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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