Não creio em perdão

Não creio em perdão, simplesmente porque ele não muda em nada o mal que foi feito, mas isto não pode significar que deva remoer um rancor eterno, ou buscar pagamento com a mesma moeda, mas entendo claramente este sentimento, e quem o procura. Tenho retornado a este tema algumas vezes, e mesmo assim continuam postando mensagens para mim, quanto a uma possível desumanidade minha nesta postura de que entendo que o perdão é desnecessário, e que cada um deve ser responsável pelos seus atos, e se for o caso, responder legalmente, aí sim, pelas desumanidades cometidas.

Se o “mal” foi feito, não merece perdão, merece responsabilização, e se for o caso justiça firme, mas com todos os direitos a atenuantes ou agravantes que se fizerem aplicáveis, e se for o caso reeducação, mas jamais perdão, posto que a medição que devemos fazer deve ser medida e valorada pelos atos que foram feitos (intencional, sem intenção, com dolo, sem dolo, acidente, e assim por diante), e o perdão de quem quer que seja não muda os possíveis males e mazelas que afetaram ou levaram a sofrimento os outros. O possível sofrimento que foi acarretado a seres irmãos em espécie, não será apagado por nenhum perdão, o perdão nada cura, o perdão somente pode ajudar aos que sofreram. O sofrimento destas pessoas é intransferível, e por isto aqueles que praticaram atos injustificáveis, intoleráveis, inadmissíveis ou inaceitáveis, humana e socialmente, merecem a justiça da correta penalidade. O perdão pode acabar levando a um estado de tolerância que jamais deve ser aceita quanto a atos e comportamentos intoleráveis. A tolerância deve estar limitada ao escopo do possível, do aceitável, do tolerável, jamais sobre o inaceitável ou intolerável.

Para cada ato, desumano, maldoso, irresponsável, não se deve sequer pensar em perdão,  se o acontecimento foi sem intencionalidade, sem dolo, ou se o alcance é irrisório ou mínimo ( a não ser que praticado com dolo maior, onde o agravante do dolo deve ser mensurado), não há porque carregar mágoa, e por isto não se justifica o perdão, se o ato foi feito com dolo, com intencionalidade, com o domínio pleno de suas faculdades mentais, não devo carregar mágoa, pois que talvez sequer possa mudar o alcance do praticado, por isto de novo não se faz necessário perdão, faz-se necessário justiça, desta forma jamais defendo o perdão, entendo que deva ser exigido, justiça, para quem quer que seja. Atos menores acabam por acontecer naturalmente, não estou justificando-os, mas muitos deles ocorrem sem um dolo maior, ou mesmo nenhum dolo, assim, cabe não carregar mágoa, cabe apenas demonstrar que não concorda, não entende, ou não aceita repetição, e permitir que o irmão perceba que mesmo sem maior dolo acabou fazendo algo que afetou terceiros, e não faz de novo sentido o perdão, e sim a comunicação franca e aberta para que possa ser aprendido pelo outro. Entendo que ninguém é digno de perdão, sim de entendimento, de ajuda, de amor, ou em casos específicos justa ação de reeducação, e nos casos mais extremos de pena, repreensão e correção. O sofrimento que já foi por alguém vivido, decorrente de atos de terceiros, não mais poderá ser removido, e nenhum perdão, por mais bonito que seja o seu sentido e a sua imagem, recuperará este sofrimento. Por favor, não estou defendendo que deve ser carregado por toda uma existência um amargor, rancor, revolta, não, por favor não é isto que estou defendendo. Não devemos guardar rancor destrutivo em nós, deve-se naturalmente fazer o luto pela dor, pelo sofrimento, mas jamais deixar que um erro desumano, insensível humana e socialmente, seja deixado impune, é preciso se libertar da dor, da raiva, mas que seja, quando necessário, quando o dolo for real e o alcance do mal abrangente contra a vida, contra o humano, contra o social, contra a natureza, passível de justiça plena. Devemos exigir justiça, e da forma como nos for possível, digerir ao longo do tempo a dor e o sofrimento, que passará a ser lembrança, mas sabendo que jamais esqueceremos o mal sofrido, posto que fará parte de nossas experiências do viver. Como diz um amigo meu, quem bate pode esquecer, mas quem apanha, jamais esquece, mas que esta lembrança sirva de aprendizado, sirva de cidadania, pela cobrança plena, quando o erro for tal que o justifique, de justiça. 

Não sou desumano, ou tento de todas as formas não sê-lo, acredito na reeducação, na correção, na compreensão, no respeito, acredito que a maioria dos erros ocorre sem dolo, ou sem maiores intenções, acredito que muitas vezes falte uma comunicação respeitosa e sem mostra de poder, que muitas vezes o que falta é mera educação, inclusão, comprometimento social, e assim acredito na humanidade, mas entendo que o perdão não se qualifica como sentimento humano, e sim a confiança, o desejo de reeducação, a luta pela inclusão, e a busca de justiça social, natural e humana plena, que envolva não somente cada caso em si, mas suas reais origens, suas reais causas que na maioria das vezes passa despercebido a visão média da própria sociedade.

É claro que merecemos paz de espírito mental, mas não é pelo perdão, e sim pela racionalização, pelo entendimento global, e pelo amar a si mesmo, o rancor não melhora o sofrimento, e nem por si só resolve ou busca uma ação justa pelo sofrido.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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