Relativismo merece algumas palavras minhas

Hoje vou me aventurar por um assunto que para alguns, talvez mesmo para muitos, seja bastante polêmico, a relatividade de valores, o entendido como relativismo, em oposição ao objetivismo de valores, em especial dos valores não objetivos, não sujeitos a juízos de fato, não suportados por verdades científicas, não sustentados por evidências positivas. Logo de início quero deixar claro que não aceito a justificativa, qualquer que seja, que aceite ou defenda o relativismo para atitudes, comportamentos, ou atividades que defenda a intolerância para minorias ou para indivíduos que são o que são, e que o que são não ofendam a dignidade da vida, do viver, da sociedade, ou da natureza, e também quaisquer que sejam os valores que tentem, baseado no relativismo, justificar ou defender a exploração, o maltrato, a mutilação, que levem ao sofrimento, a exclusão, a opressão, ao preconceito, ou a defesa de tradições culturais, religiosas ou seculares, que tornem inferior ou que levem a subjugar quem quer que seja, ou maltratem animais e a natureza. O relativismo não pode ser parte de nenhuma catequese da tolerância para que tenhamos uma ação domesticada à aceitar que valores de qualquer cultura que seja devam ser aceitos simplesmente por que sejam “relativos”. 

Sou alguém que entende a relatividade, o relativismo, mas nunca, jamais, qualquer relatividade que permita, aceite ou justifique o sofrimento real de quem quer que seja, que justifique as mentiras ou as inverdades, que justifiquem a destruição da natureza, das biodiversidades, dos nichos ecológicos, da divisão de humanos em castas ou em classes e categorias, como algo natural.

Existem valores que na verdade não são valores, são verdades ou mentiras, e devem racional, crítica, honesta e pensadamente serem analisadas e claramente rotuladas como verdades ou mentiras, como possibilidades ou impossibilidades. O que eu defendo não é o relativismo como justificativa, mas como um fato, independentemente de seu valor relativo. Existem, é verdade, uma variedade grande de valores que podem ser relativos, outros é claro são objetivos, mas entre os relativos existem muitos que em seu escopo natural podem ser aceitas vários pontos de vista e que não afetam a dignidade humana em absolutamente nada, já existem outros que em geral estão “envoltos e referenciados” por interesses, preconceitos ou simples pontos de vista, e devem com responsabilidade serem analisados. Existe um outro range de valores que quase assumem uma característica de universais (quase pois que não aceito valores universais), mas que mesmo assim precisam, merecem e necessitam, ser analisados à luz de cada fato, cada ato, cada evento ou valor específico.

Creio sinceramente que o valor dado à vida tenda a ser, pelo menos subjetiva e intelectualmente, visto como um valor positivo em praticamente toda e qualquer sociedade, para toda e qualquer pessoa, e me é bastante tentador dizer que matar um outro ser humano é algo visto como de valor negativo por todos. Claro que no geral eu também me encaixo nesta média, mas como dito, entendo que cada caso, cada evento, cada situação, cada realização, é uma em si mesma, e deve assim ser analisada. Eu pessoalmente gosto dos estremos para testar minhas teorias, meus pensamentos, meus argumentos, pois que entendo que nos “valores” da média, tudo fica muito linear, havendo assim a necessidade de analisar os pontos fora da curva normal, fora do seu desvio padrão para, de todas as direções possíveis, testar e analisar os seus valores.


Matar é errado: - No geral não há dúvidas que sim.
Matar em legítima defesa, quando não se é o agressor, o ofensor, o criador da situação, retira, entendo eu, do matar o seu valor negativo.
Matar para salvar, quando esta é a única alternativa, ou quando a premência da ação assim se faz necessária também retira o valor negativo deste valor, deste ato.
Matar por discórdia de opiniões ou crenças é errado.

Desta forma, o matar apesar de no geral ter um valor negativo, não pode ser universalmente atribuído este valor a ele, pois que se deve analisar sobre sério conceito, deve-se analisar de toda e qualquer direção que se torne possível. Matar por: autodefesa, salvar alguém, por mera agressividade, por desvalorizar a vida, por interesses, por outros motivos ou “oportunidades”, e cada um deve ser analisado por si só. Defendo assim o relativismo de que um ato, qualquer ato, não pode ter atribuído um valor padrão, universal, sem uma crítica e sincera análise, caso a caso.

Em outros casos, mesmo que no passado tenha sido aceito, não é por mim admissível aceitar que devemos em nome de qualquer relativismo, aceitá-los hoje, como exemplo a escravidão, pouco me interessa, na verdade nada me interessa, se no passado era algo aceito, se religiões no passado justificavam ou aceitavam como normal, não pode haver relativismo neste caso, ou em qualquer caso que se subtraia dignidade humana de alguém. De novo, o relativismo não pode ser desculpa para qualquer tolerância ao intolerável apenas porque alguma sociedade aceita ou aceitou.

Não existe valor positivo algum em aceitar que casamentos possam ocorrer com crianças meninas, que alguma mulher deva se submeter a qualquer homem porque sua família assim o deseja, ou porque alguma cultura crê e entende que a mulher é algo menos que o homem, que deva ser aceito qualquer mutilação em nome de qualquer religião, de qualquer grupo ou ordem. O relativismo deve ser aceito, e defendo esta posição, para eventos que não maltratem a natureza humana, a natureza social, a natureza da vida, a natureza do viver, e a natureza “natural”.

Não sou e não aceito qualquer posição relativista que denigra a natureza, o natural, a vida, e o viver, a menos que o alcance final, seja realmente mais benéfico para o natural, para a natureza, a vida, o viver e o social, como por exemplo matar um terrorista pronto a explodir uma bomba em uma escola, mas por favor, eu não estou defendendo que os fins devem justificar os meios, quaisquer que sejam os meios, fazer limpeza étnica sob a justificativa de melhorar a espécie, matar os pobres com a justificativa de melhor distribuir a riqueza, matar os doentes com a justificativa de melhorar o atendimento de prevenção, matar as pessoas com deficiências com a justificativa de melhorar a espécie, e outras quaisquer que façam do meio uma desumanidade sem necessidade por si só, devem ser totalmente negativas, e são por mim rejeitadas, ojerizadas e desprezadas.

O relativismo não pode justificar tolerar a intolerância, mas também não pode ser justificativa para tolerar o intolerável. A tolerância em si não pode ser um valor relativo. A tolerância deve ser um fato, e deve ser praticada, a menos que a tolerância em si permita ou justifique aceitar abusos à dignidade humana ou social, à vida, ao viver, e a natureza. Não pode ser possível por exemplo aceitar ou tolerar uma tourada ou rodeio. Defender que a sociedade alemã nazista, durante a segunda guerra, não fazia nada de errado, simplesmente porque perseguir, segregar ou matar judeus, como exemplo, era algo aceito ou normal por aquela sociedade é um exemplo claro do não relativismo que defendo. Jamais quem quer que seja daquela sociedade pode ser perdoado, se agiu contra judeus, apenas porque era aceito na época por aquela sociedade, como também nenhum proprietário de terras que no passado, ou hoje mesmo, fez uso de escravos, africanos ou indígenas ou de qualquer origem, tem também ao seu favor o fato de que era legal na época, pois que ser legal não dá valor positivo a nada, nem nos obriga a fazer uso de algo apenas porque é legal, pois que ser legal não dá valor positivo a nada, da mesma forma como hoje é legal em algumas sociedades o casamento e o sexo com crianças. Ser legal, em geral, significa apenas que defende os interesses de quem está no poder, defende os interesses do poder econômico, político, religioso e etc... Assim não devemos confundir legalidade com justiça ou com valores positivos, como não podemos confundir juízos de valor com juízos de fato, e juízos de valor objetivos com relativistas...


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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