Série: Como será o amanhã - transformações

A nossa civilização, ao longo do tempo, sempre conviveu com transformações. Houve um tempo, é verdade, que estas transformações ocorriam em velocidades mínimas, entretanto nos últimos 150 anos houve uma transformação no processo de transformações, e a realidade do viver vem sofrendo mudanças, alterações reformulações, modificações e variações que não somente ocorrem em velocidades cada vez maiores, mas também em sua abrangência, com amplitudes e profundidades cada vez mais marcantes, mais acentuadas, e cada vez menos intuitivas.  O conhecimento adquirido cresce de forma exponencial, acarretando a necessidade de cada vez mais existirem especialistas em áreas cada vez mais focadas, permitindo assim que estes especialistas possam focar cada vez mais no aprofundamento do conhecimento em sua área focal de atuação. Esta condição acarreta alguns inconvenientes, sendo o principal a perda de uma visão mais global e completa do conhecimento.

Inicialmente, o conhecimento estava diluído, conhecia-se uma área maior de ação, mas este conhecimento era muito mais superficial. Um pesquisador possuía um conhecimento mais amplo, porém com menor profundidade.

Com o avançar da ciência, cada vez mais passou a ser importante e necessário a busca de maior profundidade no conhecimento. Este aprofundamento forçou, naturalmente, que fosse sendo relegada a generalidade, na obtenção de um conhecimento cada vez mais focado e especializado. Desta forma foi sendo trocado amplitude do conhecimento por profundidade no conhecimento. Isto implica que hoje tenhamos excelentes pesquisadores, mas com focos muito específicos.

Com o advento da era da informação e do crescimento contínuo e exponencial do poder de computação, estamos atingindo um ponto no tempo em que a informática bem aplicada possibilitará um grande salto no conhecimento, qual seja o da interdisciplinaridade total assistida. Como nossa capacidade de processamento mental é limitada, a tecnologia da informação aliada a processamentos cada vez mais apurados, e soluções descentralizadas e distribuídas de processamento em rede e em paralelismo, poderemos criar as condições básicas para o grande salto da multidisciplinaridade do conhecimento, e estaremos aptos a realizar a enorme transposição sinérgica do conhecimento globalizado. Desta forma, esta nova fronteira do conhecimento poderá ser enormemente empurrada para frente, pois o conhecimento interdisciplinar trará ganhos exponenciais no acumular de novos saberes, na real acomodação de muitas das atuais dúvidas e falhas existentes no nível atual de conhecimento fragmentado de que dispomos. Assim a ciência e a tecnologia crescerão vertiginosamente e participarão da transformação, mais rápida ainda, de nossa civilização.


Em momento nenhum estou afirmando que a nossa humanidade, necessariamente, melhorará. Todo conhecimento pode ser utilizado tanto para o bem da nossa humanidade, quanto para mal de nossa sociedade, ou para o bem de apenas alguns, de uma elite do poder. Infelizmente o nosso progresso humano, a nossa “evolução” mental, e o crescimento de nosso discernimento moral e ético, de nossa responsabilidade e comprometimento, de nossa sensibilidade e do nosso compromisso social, nem de perto acompanham a velocidade do crescimento técnico-científico. A transformação virá, ela sempre está vindo, e cada vez mais rápida e profunda, todavia a direção humana dela, infelizmente, não tenho como discernir por agora. Somente torço para que o conhecimento possa abrir nossa mente, nosso ser, nosso existir e nossa vontade, para a direção social e humana de nossa realização do viver.


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ateu
Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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