Confiar

Confiar abertamente em todo mundo, em todos, é um caminho fácil para a frustração, para o sofrimento, para a dor, entretanto, não confiar em ninguém é muito sofrido, é desgastante e é angustiante. Assim, vivemos como equilibristas entre confiar e não confiar, tendo que confiar nas pessoas, pois que não confiar em ninguém é insuportável. É necessário que possamos ter amigos em quem confiemos, é preciso encontrar valores, qualidades, e trabalho, em pessoas para que justifiquem o risco de investir nossa confiança em pessoas que as vezes sequer conhecemos, mas nunca esperando delas, ou mesmo dos amigos, perfeição, todos estamos sujeitos a “escorregões”, tudo que posso eu fazer ou sentir, tudo que que existe em mim, existe também nos outros, e são eles também passiveis de sentir ou fazer, ao mesmo tempo em que tudo que existe nos outros, que eles possam sentir ou fazer, existe também em mim, e posso eu sentir ou fazer. Fazemos nossas escolhas, muitas vezes inconscientemente, outras vezes construindo-a continuamente com certa intervenção de nossa vontade, de nossa alguma racionalidade, e assim não podemos esperar perfeição dos outros como não podemos esperar perfeição de nós mesmos, apesar de que a perfeição deva ser nosso desafio, deve ser nossa busca constante, nossa meta, nosso alvo, aquela perfeição do bem querer, a perfeição do respeitar, a perfeição do se doar pelas causas justas, pela luta dos mais necessitados, dos excluídos, e dos explorados. 

Confiar é natural. Desconfiar também é natural. Devemos estar preparados, não desesperados ou sofredores por antecipação, mas pode ser que alguns em quem confiamos não fossem merecedores de nossa confiança, e nos “traiam” diretamente, ou mesmo nos mostrem que aqueles valores e qualidades que utilizamos como elo de construção de nossa confiança não eram verdadeiros, todavia a vida é assim, removemos este inconfiável de nossa lista, e com certeza quem mais perde humanamente é aquele que removemos de nosso círculo de confiança. Eu li em algum lugar que “honra não é algo que se constrói, apenas que se perde, que se destrói”. E eu concordo, pois que ao nascer nenhum de nós é desonrado, não nascemos em pecado algum, não nascemos fazendo mal algum a ninguém, ninguém tem motivos para desconfiar de nós, mas ao longo de nossa vida nossos atos, comportamentos, nossos valores, nossas qualidades, aquilo que entendemos sagrado (não no sentido místico religioso, mas sim no sentido daquilo que muito valorizamos positivamente e que chegamos a dar nossa vida, nosso sangue, nosso esforço maior por ele), e por outro lado, nossas omissões, nossas desumanidades, nossas injustiças, nosso descasos, apenas corroboram ou por um lado para manter nossa honra, ou por outro lado corroem, destroem e aniquilam com nossa honradez. 


Devemos também ter em mente que confiar não é um ato plenamente binário, ou confiamos ou desconfiamos, é bom, é verdade que existam aqueles em que realmente confiamos, e devem infelizmente existir aqueles em que nada confiamos, que plena e potencialmente desconfiamos, mas também existem graduações que vão de um polo ao outro, e que assim passam até mesmo por aqueles que não nos somam nada como confiáveis, mas também nada somam como desconfiáveis.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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