A maldade que nos cerca


A maldade nos cerca
De dentro para fora
Nos corrói a mente
Nos expõe ao que não gostaríamos que fossemos.

A maldade nos cerca
De fora para dentro
Nos seduz e destrói
A vontade de expressar nossa humanidade.

A maldade nos cerca
No tempo e no espaço
No templo e no lar
No ser e na sociedade.
Nos corrompe a alma pensante
Nos aniquila a lógica racional
Nos embaça a nossa análise crítica
Nos relega à desumanidade do viver.

A maldade nos cerca
Sendo ela mesma o que nós somos.
Sendo ela filha natural do que estamos
Vindo ela do que criamos
Representa toda ela, a própria sociedade que construímos, e que por vontade própria suportamos.

Somos reflexo da própria maldade que produzimos.
Somos o espelho invertido da imagem de bondade que para nós próprios originamos.
Somos os “pobres” bonzinhos, que por certeza da imagem de digno que de nós mesmos imaginamos, fazemos o mal que nos destrói, justificados pela bondade que falaciosamente de nós temos.

Abandonamos nossa humildade
Acreditando piamente que somos humildes
Acreditamos fazer o bem, o supremo bem.
Corrompemo-nos na luta justificada pelo nosso bem
Nos sujamos e nos perdemos na procura de nossa verdade
Nos envolvemos em guerras pela certeza de nossas crenças.


Abandonamos nossa humanidade
Quando acreditamos sermos deuses
Quando acreditamos existir um deus atuante que justifica nossos atos e que abençoa nossas lutas.

Abandonamos nossa dignidade humana
Quando criamos a imagem de sermos o auge da evolução por desígnios e vontade superiores
Quando nos vemos como seres que refletem a precisão de um deus
Quando nos vemos como seres que refletem a perfeição de um deus
Quando nos vemos como seres que refletem o planejamento inteligente de um deus
Quando criamos um deus a imagem da falsa dignidade que necessitamos acreditar que temos.

Abandonamos a nossa origem humana quando cremos ser imagem e semelhança de um deus
Quando cremos que o perdão é nosso aliado
Quando cremos que nossas verdades, crenças e dogmas nos libertam
Quando cremos que tudo é desígnio deste deus
Quando cremos que a “nossa” salvação deve ser buscada como reflexo da vontade deste deus
Daquele mesmo deus que criamos para sustentar nossa própria ilusão de perfeitos.

Necessitamos resgatar nossa humanidade, na humilde realização do nosso viver, buscando justiça natural e social, e construindo, tijolo a tijolo, em nós, a beleza do verdadeiro e complexo AMOR RACIONAL e UNIVERSAL. Aquele Amor que não segrega, que não é vaidoso, que não nos faz prepotentes em nossa mesquinhez. Necessitamos construir não um amor fictício ou teatral, não um amor que alberga apenas os nossos, não um amor que pode ser fictício de um deus, mas sim o AMOR imanente de uma realização social e humana, sensível e compromissada, sincera e verdadeira, racional e crítica.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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