Crer ou não crer na existência de alguma deidade

“Não crer na existência de um deus”, do seu deus, ou de qualquer deus, é muito diferente do sentido da forma reduzida “não crer em um deus”. De início deveríamos notar a presença marcante da palavra existência. Você que está lendo, não deve crer na existência de muitos deuses, em Odin, em Nhanderuvuçu, em Tupã, Shiva, Jaci, Zeus, entre muitos outros, e isto não cria incomodo algum para você, pois que não crer na existência de um deus, não significa não crer naquele deus, não significa odiá-lo. Por outro lado, não crer em um deus, implica que ele exista e mesmo assim em não crer nele. Não crer na existência de tal deus é muito mais simples e neutro, ele não existe, assim não posso odiá-lo, ser contra ele, ou não o aceitar. Desta forma chega a ser hilariante quando escuto ou leio, de pessoas que desejam difamar os ateus minimamente sérios, que ateus odeiam deus, ou que por algum motivo, sempre negativo, não querem ou não conseguem aceita-lo. Nós simplesmente não acreditamos em sua existência, como na existência de nenhum outro deus qualquer, como todos os religiosos fazem ao não acreditarem nos deuses de outros, e os minimizam, chamando-os horas de mitologia, horas de criações. 

Agora gostaria de comentar, o que alguns entenderão como paradoxal, que entendo também que a crença, a pura e simples crença, na existência de um deus, também seria por definição neutra, eu poderia acreditar que um buraco negro fosse um deus, e isto nada mudaria minha vida. O problema, para mim, não está na crença, ou não, na existência em um deus, eu não creio em sua existência, mas você poderia crer, e isto não seria problema algum. O problema se inicia quando dou a este deus que creio existir, capacidades humanas de dar ordens, de impor normas, de passar doutrinas, de afirmar valores, de agir protegendo ou castigando, de ser egoísta ao ponto de desejar que o temamos, de afiançar benefícios ou punições. Poderia eu crer na existência de um deus, levar minha religiosidade serena e sinceramente, e não me curvar a dogmas, preceitos, regras ou doutrinações, e o mundo seria muito mais tranquilo, e crentes e descrentes viveriam tranquilo, como eu não crendo em ETs, não tenho porque me acirrar contra os que creem em ETs, desde que os que creem em ETs não trouxessem normas e doutrinas que estes ETs estão exigindo fossem seguidas. Eu em contrapartida creio em outras dimensões e em outros universos, você pode não crer, e de novo, nada criaria de atrito em nós, a menos que neste caso, fosse eu quem trouxesse ordens e intimações a serem seguidas por quem não crê em outras dimensões e em outros universos. Um deus poderia existir, você nele crer, e não trazer para a vida, ordens ou imposições deste deus. Mas quem traz estas ordens, estas imposições, estas doutrinas, estes dogmas, estas normas até nós? Em geral as religiões, as seitas, as instituições de cunho religioso. Desta forma, o problema maior, quase que absoluto, não está na crença ou descrença na existência de um deus, ou de vários deuses, mas sim nas religiões e nos livros sagrados, que nos catequizam com toda sorte de devaneios. É verdade que livros sagrados trazem alguns ensinamentos bons, sim, mas é verdade também que trazem muito exagero, e falácias. Todos os exemplos bons podem ser encontrados fora dos livros sagrados e das religiões, virtude, valores humanos, valores sociais, dignidade, amor, ética, exemplos, foco, compromissos, empatia, sensibilidade, altruísmo, solidariedade, respeito,  abnegação, moral, amizade, bondade, decoro, fraternidade entre outros, não são propriedade de religião alguma, e caso você tenha dúvidas, basta olhar o percentual de religiosos que são parte de religiões e seitas diversas, e em contra partida o “volume” de mazelas no mundo, que isso por si só deveria denotar que as religiões são no mínimo incompetentes em tornar tudo aquilo em verdades, quanto mais, como poderiam elas serem proprietárias de tais valores e exemplos. De novo, você pode agregar toda ou parte da lista acima em você, propagar, divulgar e tornar-se exemplo para os outros, sem se perder, ou correr o risco de cair nas falácias maléficas das religiões. 

Sou ateu, todos que me conhecem disto sabem, afirmo que não é fácil para um adulto tornar público isto, pois que todos os seus amigos tendem a crer em um deus, tendem a ter religião, seus pais tendem a ser religiosos, mas uma vez tomada a coragem final para se abrir ao mundo, você retira um peso enorme de cima de você. Sendo ateu, isto muda em mim, uma única coisa, não creio na existência de deidades alguma, só isto. Ser ateu, não crer na existência de deuses não é filosofia de vida, não é norma moral, não é princípio de vida, estes eu os tenho independente de ser ateu, de crer em um deus, de acreditar em livros sagrados ou revelações, ou de integrar alguma religião. Infelizmente, não gostaria de dizer, mas se você atrela seus valores, seus princípios de vida, sua filosofia do viver, a existência de algum deus, ou de alguma religião, de algum livro santo, eu sinto um pouco de pena, pois que você pode descobrir que sua religião, seu livro sagrado, seus conceitos são cheios de equívocos e você pode acabar se perdendo como ser humano. Para muitos religiosos, olhar para um ateu minimamente sério, sincero, humano, socialmente lutador, é como olhar para um exemplo vivo de que a religião não é necessária para ser do bem, e isto choca aos olhos e mentes mais fundamentalistas ou mais frágeis, e por isso o volume de mensagens que recebo, incluindo pragas de que queimarei eternamente no enxofre do inferno, mas eles se esquecem que para um ateu minimamente consciente, da mesma forma que deuses não existem, não existem também o diabo e sua trupe, não existindo assim o inferno, por isto a praga não nos assusta em nada. Por favor, antes de ofender um ateu que tenta ser crítico e sincero, pense primeiro no quanto vocês estão envolvidos na necessidade de suas religiões e por isso lhes ofendem conhecer ateus que lutam, que se esforçam, que se expõem, que se aventuram para serem sérios, do bem, humanos e justos, imperfeito claro, como todos, mas que sinceramente buscam a igualdade humana, e o bem viver para todos.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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