Medo da morte

Sinceramente creio que todos (ou pelo menos a maioria), de alguma forma, em algum momento que seja, já sentimos algum temor da morte, no mínimo algum respeito forte por este estado, o de em um ínfimo instante deixar de ser para nada mais ser, se não por si mesmo, talvez pela morte de um irmão em espécie muito amado. Entendo que o medo da morte não seja algo destrutivo, quando encapsulado em alguma consciência de sua inevitabilidade. O temor, que entendo algo natural, pela morte nos ajuda a aprender a nos cuidarmos, a evitarmos riscos desnecessários, desta forma acredito que não temer a morte possa nos levar a passos destrutivos. Não obstante o temor à morte, é importante diferenciar um temor respeitoso racional e consciente pela morte, com o medo desesperado, assustador, apavorante e destruidor de morrer.  

Temer a morte não significa o pavor aterrorizante, antecipado e contínuo do morrer, pois isto (a morte) se dará com certeza, ela é em si inevitável, mas significa sim, o amor à vida na necessidade de realizar cada instante como único e quem sabe como último.

Temer a morte não pode ser se esconder da vida, é sim realizá-la em todo o seu esplendor presente, é realiza-la de forma a mais plena possível, mas nunca alienado de que o morrer faz parte do pacto natural de ter nascido. Entendo que se “olharmos” o todo espaço-temporal de nosso universo, excetuando-se toda e qualquer possibilidade de algo mais que tenha possibilitado a emergência do nosso universo, acabo facilmente por perceber que o viver, individual, de cada um, e assim também o meu viver, é a exceção, é apenas uma nota de rodapé e não o texto completo, pois que o viver (o viver de cada um) é um interstício de probabilidade quase nula, cercado por praticamente duas eternidades de nada, o nada que antes éramos, por longa jornada, e o nada que voltaremos a ser, desta ver por toda uma nova eternidade espaço temporal, assim que a morte se fizer presente. Esta compreensão me faz entender como devemos ser humildes, como somos quase nada, mas em contrapartida um quase nada de extrema importância para cada um de nós, e que assim me faz amar não somente a minha vida, mas a vida como um quase milagre frente a improbabilidade de sua realização, isto por si só é muito mais que uma razão para amar viver, é a plena realização, em si, do motivo próprio para existir humana, social e naturalmente.


Temer a morte não significa viver como herói, mas realizar nossa humanidade como se fosse sempre nossa última oportunidade.

Temer a morte é amar a vida, é realizar a vida, é comungar com a vida, é ser uno com a vida, sem jamais se esquecer que somos seres vivos, é verdade, mas que somos também seres sociais.

Temer a morte não pode ser algo que nos aprisione, que nos maltrate, que nos destrua e paralise, o temor à morte deve ser algo como que um respeito incomensurável por uma fatalidade que nos acompanha e que será presente um dia. Temer a morte é algo que devemos superar com sua contrapartida o amor pela vida. Temer a morte é algo a ser vencido com um comportamento de valorização do viver. Nascemos fadados a morte, mas não nascemos fadados a sofrer pela morte, assim saber que ela é nossa companheira é um fato a ser entendido e convivido, nascemos para viver, nascemos para realizar, nascemos para amar a vida e não para sofrer pela morte, por temor a morte, ou por ansiedade pelo morrer. Por isso entendo que o mais sublime pelo saber que morreremos, é fazer continuamente uma ode à vida, uma poesia do viver, uma reverência amorosa e plena pela realização de nosso viver. 




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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