De que adianta tecer elogios ao amor, se...

De que me adianta tecer elogios ao amor, enumerar as virtudes de ser ético, destacar o valor de “nossa” humanidade, enaltecer louvores à dignidade humana, salientar que somos seres sociais, para aqueles que só conhecem a sociedade pela lixeira, pelo submundo da sociedade, que somente sabem o que é dignidade humana pela dor do abandono que sentem, que possuem o conceito de ética diluído e distorcido pelo abandono social de que são exemplos vivos.

Para estes párias, praticamente abandonados à margem da sociedade, excluídos do convívio social de nossa sociedade, que a maioria absoluta das vezes não possuem a menor culpa pela realidade que lhes sobra, sendo sim, em boa porção, culpa de nossa omissão, de nossa arrogância, de nossa vaidade, de nosso egoísmo, e desta forma pouco acaba restando a eles para sentir sobre o amor humano da sociedade para com eles, amor, compromisso e sensibilidade que desconhecem, sobre a ética social que não percebem, sobre a dignidade humana que não os visita, e muito menos pelo sentido de sociedade que lhes é proibido conhecer.

É mister assim ter a coragem de encarar de frente as feridas desonrosas de um princípio humano que ao longo do tempo acabamos perdendo e muitos de nós não mais o possuímos, além das mazelas do neoliberalismo econômico que nos seduz com falsos brilhos e falaciosas promessas, e que muito interessa aos que detêm o poder ou parte deste poder, nos mantendo enganados, iludidos, catequizados, deslumbrados e crentes de uma promessa que o liberalismo econômico não pode cumprir, qual seja a de um sistema econômico que preza por ser justo e por possibilitar uma igualdade real de oportunidades. 
Ledo engano. 

Como podemos ser seduzidos pelo canto de uma sereia que jamais pode cumprir suas promessas. Como podemos crer que as oportunidades são justas, social e humanamente igualitárias. Somos iludidos exatamente pela nossa fraqueza de que poderemos um dia ter nossa vaidade e nossas ambições satisfeitas. Como dar oportunidades econômicas, humanas e sociais iguais a crianças de cultura e poder econômico tão diferentes, sem nos envolvermos em erros. 

Um filho que mal pode estudar, que mal se alimenta, que não possui serviço médico disponível, que muitas vezes mora em locais miseráveis, cujos pais mal têm instrução, que desconhecem a motivação do estudar pela premente necessidade de sobreviver, contra outros filhos que nascem em berços de ouro, com ótima alimentação, ótimo serviço médico e psicológico, envoltos em cultura, ótimos colégios e faculdades, amigos ou parentes que lhes podem oferecer bons estágios e etc. etc. etc.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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