Fé na educação


Fé na educação para mim é valorizar instrutores e mestres, pais e responsáveis, amigos e sociedade, é investir em infraestrutura operacional de apoio e de logística, é ter mais bibliotecas e laboratórios, é oferecer acesso a mais e melhores livros, escolares ou não, é motivar os alunos, responsáveis e familiares pela acumulação de conhecimentos, é abrir a mente de crianças, jovens e adultos a curiosidade, pois entendo ser a curiosidade e a motivação, apoiado por bons mestres, orientadores, laboratórios e livros, com boa infraestrutura de escola, transportes e moradias, aclimatados em um ambiente social digno e equilibrado, o motor e a mola mestra que permitirão o grande salto na transformação de nossa sociedade através da transformação de nossas crianças de hoje em hábeis pensadores, bons críticos, lógicos racionais, capazes de pensar e terem vontade própria, podendo assim elevar nossa sociedade a um nível onde nossa humanidade possa ser plena.

Ter fé na educação não deveria ser trazer para esta o místico e sim elevar o nível de instrução e cultura de nosso povo e devolver a todos o compromisso com a dignidade humana e com a justiça social.

Ter fé na educação é ter consciência de que a educação começa fora da escola, e continua depois dela, com uma família equilibrada, com um ambiente social equilibrado, com moradias minimamente dignas, com alunos, mestres e pais motivados e com a percepção por parte do alunato e de seus responsáveis, sejam estes crianças, jovens ou adultos, que o mundo está realmente aberto e disponível para eles, e que é a educação completa, integrada, profunda (que não se atenha somente a superficialidade dos fenômenos) e de alto nível que os permitirá ser parte ativa desta sociedade e não apenas párias a margem da sociedade que compõem.

Fé na educação não é trazer o imponderável (certo de que o imponderável existe), e nem mesmo o transcendental e místico enquanto sequer atingimos o mínimo no ensino, instrução, cultura e educação que realmente são mister investir. 

Fé na educação é aprofundar o estudo de leitura e interpretação na tenra idade, posto que entender é hoje uma das maiores falhas que percebo, e que acaba por afetar todas as outras disciplinas. Muitos têm enorme dificuldades em matemática, física, ciências em geral, história e biologia, entre outras disciplinas, simplesmente porque sabem ler, mas não sabem interpretar o que leem. Como eles estarão aptos para interpretar a vida como um todo? Acabarão por estar a reboque das “autoridades” nos assuntos que não entendem e a serem meros seguidores dos governantes e das mídias de forte penetração, acabarão por serem facilmente convencidos e dirigidos por bons oradores sejam eles políticos, religiosos ou laicos. Ter fé na educação é trabalhar a ideia de preparar livre, críticos e coerentes pensadores.

Não desejo minimizar a importância da gramática e da ortografia, mas entendo que de alguma forma, talvez mesmo pela premência de chegar ao fim de todo conteúdo programático, ou mesmo pelas salas de aula inchadas de alunos, o que impede um maior relacionamento individual, acabamos por não dar o devido valor a interpretação de textos e pessoalmente entendo, sem desejar ferir ideologias de ninguém, que bem interpretar é muito mais necessário para o crescimento mental e intelectual. Hoje acabamos preparando pessoas que podem até bem falar e escrever, mas que muitas vezes o bem fazem sem um conteúdo maior ou crítico. Talvez isto seja melhor para o estado e para outras instituições, mas não para o ser humano integral capaz de interagir ativamente com a sociedade e com a natureza. A arte e a ciência de bem interpretar é uma porta para o bem pensar, bem argumentar e bem coordenar suas ideias e seus planos.


Minha fé na educação passa pela formação de seres humanos completos e íntegros, que vão da curiosidade a revolta, que vão da capacidade argumentativa até o bem planejar, que vão de bons pensadores a revolucionários, que vão de cientistas a humanitários, que vão de bons filhos a grandes pais, que vão de destruidores de preconceitos a reformadores sociais, garantindo assim um mínimo de saúde social para todos.

Ter fé na educação é desenvolver um que de ceticismo natural, provocando sempre e cada vez mais a busca sincera, uma análise profunda, uma pesquisa estruturada, a confirmação de fontes e de capacidade para aceitar as fontes, a fuga das revelações, doutrinações e massificação, é buscar sempre a quem interessa cada assunto, quem ganha e quem perde, como ganha e como perde...

Ter fé na educação é amar a liberdade, mas amar mais ainda o respeito a liberdade de todos, é ter a certeza da democracia como meta e ter a consciência que não sou dono da verdade e que outros poderão ter ideias muito melhores. Ter fé na educação é estar preparado para abrir mão de minhas crenças sempre que novas evidências se sobrepuserem a ela, é estar de mente aberta para o novo, não porque seja novo, mas pela verdade que possa trazer, é amar profundamente a vida e seu conceito, para que jamais esqueça de agir pelo amor a essência da vida, minha, de meus filhos e de todos os demais.

Ter fé na educação é acreditar que somos capazes de fazer compreender a todos e a cada um que somos naturais, que somos natureza, que devemos e podemos amar e respeitar todos os nossos irmãos em espécie (sem necessariamente amar ou aceitar todas as suas ideias, mas que devemos respeitar o direito a que as defendam, até mesmo para que possamos checar e testar nossas crenças, verdades e conhecimentos), mas muito além de ser compromissado com os irmãos em espécie, entendo que a educação é capaz de preparar amantes e compromissados seres humanos com toda a infinidade de espécies primas, capazes de se opor de forma clara e firme contra todo e qualquer sofrimento, dor ou desconforto em nossos primos animais, além de estar compromissado com o respeito máximo por nossa gaia terra e assim com toda a natureza.


Ter fé na educação não significa ter fé em todos os educadores, pois que como em todo grupo com muitos participantes, teremos educadores da mais alto compromisso e competência, e outros de no mínimo compromisso duvidoso, assim teremos bons e maus educadores. Ter fé na educação não significa ter fé nos sistemas implantados, ou fé nas intenções políticas dos que nos governam, dos que detêm os poderes, pois que em muito o que interessa aos poderosos e governantes não é ter uma população esclarecida, capaz de pensar independente, capaz de criticar e refletir séria, honesta e comprometida totalmente com os interesses sociais, e sim uma pequena elite “pronta” para perpetuar o poder, e um massa seguidora, domesticada, catequizada e despreparada para pensar, e sim preparada para seguir. Ter fé na educação é “TER FÉ NA EDUCAÇÃO”, no seu sentido mais amplo, inclusivo, multidisciplinar, cidadão e crítico, é ter fé que a educação promove bem-estar, promove críticas, promove mudanças no ser que poderão ser refletidas na sociedade como um todo, levando-a, lentamente que seja, a uma sociedade inclusiva, múltipla, social, igualitária em suas múltiplas diferenças, cidadã e crítica.

Enfim, ter fé na educação é trabalhar a autoestima dos alunos, das crianças, dos pais e responsáveis, de toda a família (no seu sentido o mais amplo e inclusivo possível), valorando professores e demais profissionais da educação, criando uma parceria ativa, franca, sincera, comprometida e leal, de respeito e de confiança, com a comunidade. Ter fé na educação é acreditar que por ser a educação um bem social, deve ser democrática, universal e inclusiva, e não é uma responsabilidade apenas de mestres e escolas, mas também de pais e responsáveis, e de toda a sociedade.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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