Moralidade

De alguma forma, se não todos, pelo menos um número incontável de viventes humanos já pensou sobre moralidade, e em algum grau subjetivo tem uma visão e uma crença sobre o que seja moral e o que entende como imoral, alguns com franco escopo de fundo conservador, e outros com uma paisagem de fundo mais envolvente e muito mais libertária, mas entre estes dois conceitos e percepções do assunto, acaba por que cada um dos viventes perceba um tom qualquer sobre o grande espectro do que seja moral. Para muitos, moral e ética seriam praticamente a mesma coisa, o que não é verdade. 

Somente pela enorme escala de tons que cobriria todo o espectro do que é moral, não só pela intensidade, mas também pela característica, pelos atributos e predicados, e por cada particularidade em si, fala por si só, a impossibilidade de definirmos claramente o que seja moral, neutro ou imoral, agravado pela “verdadeira” importância que a maioria acredita dar ao assunto. Cada um que se ateve a tentar estudar mais profundamente o assunto da ética e sua vertente mais prática a moral, se vê envolvido em uma dificuldade, pois que não existe nada minimamente parecido com uma ética ou moral absolutos e universais, pois que as reais variáveis são em número elevado.

Pessoas diferentes, culturas diferentes, épocas diferentes, geografias diferentes, interesses diferentes, e mesmo pessoas únicas ao longo de sua jornada de vida possuem visões diferentes e aceitações diferentes sobre o que seja moral, neutro ou imoral. Assim, deveria ficar claro de perceber que moral não é em si mesma algo universal, algo que deveríamos lutar desenfreadamente pela defesa de nossa visão, de nossas crenças, pois que ela pode ter, e muitas vezes o tem, um fortíssimo viés de interesses, de cegueira catequisada, e de preconceitos, entre outros. Mesmo a tão decantada chave de ouro da moral, que seria algo como “somente fazer aos outros o que gostaria que lhe fizessem a você” não pode e não deve ser defendida como uma verdade absoluta e universal, não obstante parecer algo digno, simplesmente porque o que desejo para mim está por si só maquiado e distorcido pelas fontes culturais que sigo, pelos preconceitos que carrego, pelas doutrinações da mídia, religiões ou mesmo de grupos não religiosos que me envolvem, bem como de interesses pessoais, familiares ou dos grupos em que me insiro. Moral e ética, sendo coisas diferentes, possuem uma importância que deve ser séria, honesta e livremente analisada, tendo sempre como pano de fundo o direito às diferenças, e o respeito à liberdade responsável. Existe uma característica bastante difundida de que a moral implica na necessidade consciente de que o agente praticante deva ter plena e clara percepção do alcance e do impacto de cada ato. Passa despercebido por muitos que em primeiro lugar não somos seres tão conscientes como acreditamos e talvez sequer a consciência seja o timão principal de nossas ações e do nosso ser, sendo a inconsciência muito mais preponderante, e em segundo lugar, o esquecimento, ou a minimização, de algo que prezo muito importante, a intenção, seja esta consciente ou inconsciente. Entendo também que contra esta visão de consciência total do alcance de cada ato aparece um outro agravante, que contraria ou pelo menos reduz brutalmente a visão de que temos domínio e alcance sobre o resultado de nossos atos, entendo que ninguém possui tal poder, pois que a realidade é por si só muito mais complexa e sujeita constantemente a um volume de interações, interferências e reflexos externos, de coisas que sequer imaginamos, e muitas vezes um ato intencionalmente maldoso pode levar a um final benéfico e outras vezes, um ato intencionalmente bondoso pode levar a um final infeliz,  “indignificante” ou injusto para o alvo do ato. Ainda neste tocante eu gostaria de dizer que cada vez mais creio que alguma estrutura, alguma base mental, de suporte ou de características percebidas como morais, altruísticas, ou de compromisso para com o próximo, o social (talvez ainda mais voltada para a família ou o grupo próximo), e a natureza, sejam também o resultado de alguns processos evolutivos, selecionados por alguma pressão seletiva para “garantir” ou maximizar as chances de sobrevivência de um certo bolsão genético, ou de forma menos restritiva e mais solta, a maximizar a sobrevivência da espécie. Uma coisa é clara para mim, um ato, cada ato, para ser moral deve envolver o desejo do bem querer ao próximo ou a um grupo, sem envolver nesta engenharia social nenhum interesse de retorno ou ganho pessoal, sem abrir mão da intenção que lhe deu origem.


Desta forma entendo que ética e moral não são propriedades de grupo algum, de religião alguma, e que podem e devem, mesmo a contragosto de reacionários e conservadores ser estudada com busca as verdades, e como algo natural e que pode ser tratada, com os devidos limites humanos, éticos e sociais, como ciência, uma vez que ciência nada mais é do que conhecimento, e toda área, por mais abstrata que possa parecer, é digna de sérios estudos na busca de melhor conhecer este e qualquer assunto. Como é uma área que lida com seres vivos, que sentem, sofrem, se emocionam, o método puro científico deve sofrer “atenuantes” pois que a liberdade de experimentar e de testar deve ser fortemente limitada quanto ao respeito e a dignidade do próximo, por isso entendo que a área das ciências sociais é mais complexa de se trabalhar do que as áreas mais físicas, posto que não posso sair fazendo testes com seres vivos, que não sejam testes limitados a não interferência na liberdade e no respeito à vida.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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