Natural conhecimento

Tenho conhecimento claro de que não sou dono da verdade, simplesmente porque tenho algum conhecimento de que a dúvida é sempre salutar em ralação ao conhecer, e conheço mais, reconheço que o conhecimento pleno é impossível, mesmo dentre o que se conhece, são tantos assuntos e disciplinas, e em tão diversos níveis de profundidade que ninguém, física e mentalmente possui condições de tudo saber, e entendo também que minha interpretação sobre o conhecimento e sobre o que seja possível se conhecer possa estar errada, incompleta, ou mesmo contaminada por preconceitos pessoais ou diretrizes culturais, mas isto não retira de mim o direito de possuir uma interpretação do universo e do natural, e eu a tenho, e busco baseá-la em evidências mínimas, buscando estar minimamente alinhado a conhecimentos científicos que creio possuir, tentando estar sempre aberto as refutações.

Entendo como natural tudo aquilo que possa ser elegível direta (Ciência experimental) ou indiretamente (Ciência teórica) a estudos científicos. Natural não é necessariamente aquilo que podemos eleger filosoficamente como passível de discussão científica, mas sim aquilo que realmente podemos eleger para foco de estudo científico. 

Entendo como sobrenatural ou supernatural aquilo que podemos eleger filosoficamente para discussões, mas que não seja passível de estudos científicos, ou que não seja passível de refutações, ou mesmo que já tenha sido refutado por ciência séria, não pseudociência. 

Entendo que o Natural está para o científico (conhecimento) assim como o sobrenatural ou o supernatural está para as crenças não passiveis de validação de verdade e a pseudociência. 

É natural, para mim, tudo aquilo que atua exclusivamente no escopo da natureza, seja energia, matéria, energia escura, matéria escura ou algo novo a ser ainda descoberto, ou que destes seja imanente ou seja a eles redutível em algum nível, mas que seja totalmente passível de sofrer foco e escrutínio científico (Ciência = conhecimento), esteja isto em nosso ambiente espaço temporal, ou em outro escopo dimensional (unicamente caso venha ainda a ser comprovado: novas dimensões), ou esteja isto neste universo ou em outros (multiverso: unicamente caso venha a ser comprovado), mas que responda apenas e tão somente as regras, leis e princípios naturais, não dependente de vontade ou atuação de nenhuma entidade fora do escopo da própria natureza.

É obvio que entendo que o conhecimento natural extrapola em muito o conhecimento atual, mas isto não faz deste desconhecimento algo sobrenatural ou supernatural. Lacunas do conhecimento, o desconhecer de algo, não pode ser justificativa para o sobrenatural, e sim, motivos para foco de estudos, mesmo que inicialmente apenas no âmbito teórico.


Creio que existem crenças e que existem verdades, quando ambas se sobrepõem existem as crenças verdadeiras, destas (crenças verdadeiras) apenas um pequeno subconjunto pode ser avaliado como conhecimento ou como ciência. Mas este conhecimento é uma ínfima parte de todo o conhecimento possível, posto que as verdades são em número quase infinito. Devo tentar deixar claro que jamais posso abrir mão de crenças, elas existem, são naturais e necessárias, pois que nos é impossível tudo saber, minha crítica são para as crenças já refutadas, ou que não se alinhem sobre a realidade vivente ou que não se suporte frente ao pouco que já conhecemos, nossas crenças precisam ter algum respaldo na realidade e no pouco que já conhecemos.


Já comentei sobre isto em outras composições, mas entendo como se o conhecimento fosse como que uma ilha, bela e de rica fauna e flora, mas incrustada na imensidão de um infinito mar do desconhecido. O perímetro natural entre a ilha do conhecimento com o grande mar do desconhecido é muito dinâmico e muitas vezes revolto e perigoso. Mesmo a terra firme da ilha do conhecimento é continuamente pontilhada por intempéries e cataclismos. Terremotos, vulcões, furacões, tsunamis, incêndios, choques de asteroides, chuvas fortes do desconhecido agitam a falsa tranquilidade do conhecimento e muitas vezes modificam sua estrutura e sua característica. Esta ilha do conhecimento tende a crescer continuamente como uma ilha vulcânica, novos conheceres, muitas vezes obtidos sobre certa tormenta para o conhecimento estabelecido fazem nossa ilha do saber crescer continuamente. Quanto maior nossa ilha do saber, maior é o perímetro com o mar do desconhecido e assim quanto mais nós sabemos, mais certeza temos de que o desconhecido é também maior.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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