Vivo uma e somente uma realização do viver.

Vivo uma e somente uma realização do viver. 
De um eu que eu nada era, para um eu que eu nada serei um dia, experimento uma única, temporal e fatal, ocorrência do viver. Desta forma sobram-me apenas uns poucos anos para aprender a amar e construir minha humanidade. 

Desta vida que urge em passar, presente à presente, cabe-me buscar alguma felicidade, passageira que seja como uma corrente de ar, mas factível como a sensação da brisa em nossa face. Se não posso ser feliz por completo, posto que me envergonharia de tal, frente ao sofrimento de tantos irmãos, e em especial do sofrimento de crianças e jovens largados a sorte do abandono social ou de doenças e mazelas terríveis, posso pelo menos experimentar momentos de alegria e de felicidade, sabedor que estes momentos sempre ousarão em me abandonar.

Talvez os sábios sejam mais felizes, mas sinceramente não creio em sábios, pelo menos não conheço nenhum, e se a felicidade vem às custas de uma omissão de minha responsabilidade como humano social, renego esta felicidade. Felicidade contemplativa pode ser boa, mas imprópria frente ao caos social do qual somos também peças ativas. 

Talvez me falte inteligência, aquela inteligência que permite a religiosos e místicos crer em um algo antes e em um algo depois, mas a realidade ousa se antepor frente aquilo que eu gostaria que fosse, ou que pudesse crer que é. A sorte ou o azar não me proveram de tal inteligência, mas com a que tenho, me esforço por estudar e aprender um pouco a cada dia da maravilhosa natureza que nos cerca e nos compõe. Apenas consigo ler nas páginas imanentes desta natureza que muito amo e venero, e nesta leitura, apenas vejo o presente como único e eterno veículo, enquanto parte biológica e mental, desta experimentação da natureza. 

Como animal, percebo que a humanidade deve ser construída continuamente, algumas vezes com nossa própria desconstrução, parcial que seja. Esta humanidade é aquilo que nos diferencia emocionalmente de outras espécies, não por ser melhor, mais nobre, ou mais evoluída, mas tão-somente por ser um nicho biológico que acabamos aleatória e/ou naturalmente ocupando no desenrolar, sem planejamento prévio, da evolução biológica (aleatória quanto ao erro de cópia, e nada aleatória quanto a especiação e seleção natural). Defender a humanidade como aquilo que nos diferenciam é claro que além da genética e da incapacidade reprodutiva com outras espécies, nunca me deixa confortável, pois que pode parecer a leitura de muitos que quero dizer que somente o ser humano possui qualidades emocionais ou sentimentais, qualidades de empatia ou de sensibilidade, qualidades de altruísmo ou de bondade, quando isto para mim não é verdade, alguns animais tem demostrado semelhanças muito fortes conosco, ficando a diferença muito mais para a quantização e volume, do que para a especificação e qualificação. Apesar de não soar acusticamente bem, ou mesmo de sequer existirem alguns destes termos, uso humanidade porque somos humanos, não porque sejamos melhores ou superiores, como deveria usar os termos “primaticidade” para primatas em geral, “chipanzedade” para chipanzés, “golfinhedade” para golfinhos e assim por diante, como características de vida pessoal e social que os definem em seu próprio nicho.


Como animais e como humanos temos o direito e o dever de buscar alegria e felicidade, desde que estas não sejam unicamente minhas, e nem a qualquer custo. A felicidade deve ser minha enquanto, pelo menos, também sirva minimamente ao corpo social que compomos. Me rogo apenas o direito de escopar a felicidade como uma maximização da felicidade do maior número possível de pessoas, na maior área geográfica possível, por um maior espaço de tempo possível. Pode parecer teórico, mas tenho a certeza que todos conseguem entender que valorizo a felicidade, como sentimento e emoções pessoais, é claro, mas que estas não podem ser ou ocorrer à revelia, ao descaso ou ao repúdio dos demais entes que compõem nossa complexa, múltipla e dinâmica sociedade. 

Como um pouco epicurista acho digno e verdadeiro a busca de felicidade e prazer, desde que não ofendam, melindrem ou firam a dignidade de nenhum outro ser vivo. Não falo apenas dos homens, mas entendo que a minha felicidade não pode restringir-se somente a meu viver, ou somente aos meus amigos e familiares, mas devem respeitar a natureza viva como um todo, e indiretamente respeitar a natureza geológica enquanto esta seja suporte de vida para seres outros.

Apesar de ser um ser múltiplo e complexo, vivo uma e somente uma realização do viver


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

Comentários

  1. Também tenho essa previa, As vezes nao me acho mais inteligente por não acreditar em deuses, mas quem sou ignorante demais a ponto de nao conseguir imaginar/ acreditar em algo tão distante da realidade

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