Decidir sobre o desconhecido baseado no conhecido

Sem a intenção de me achar dono da verdade, entendo ser um grande erro decidir sobre o que desconhecemos baseado tão-somente no que conhecemos, ou no que parece com o que conhecemos. Como desconhecemos, não devemos generalizar, muito menos devemos, por indução, supor que sabemos o que desconhecemos, simplesmente porque alguma “verossimilhança” possa existir entre o conhecido e o desconhecido. 

Como desconheço, devo pesquisar, devo estudar, devo racionalizar e quando o racionalismo se finde, por falta de conhecimento pleno ou histórico do fato, ainda me sobra tentar uma análise crítica. 

Jamais devo induzir diretamente nada, ou mesmo devo partir para generalizações por princípio. Devo sempre ter em mente que conhecer o passado não significa jamais dominar o futuro, ou que conhecer em parte, ou conhecer algo parecido não é conhecer plenamente. 
Nunca devo confundir conhecer a sequência de eventos históricos passados como sendo uma análise pura, completa ou real de causas e efeitos. Um efeito passado, analisado do ponto de vista histórico, teve com certeza muitas mais causas do que aquelas que conseguimos vislumbrar. Como eventos históricos são uma única linha de uma infinidade de possibilidades que foram uma a uma desaparecendo, nos parece lógico, mas é ilógico, supor que a sequência de eventos representa uma série única e direta de causas e efeitos. 
Causas, muitas vezes totalmente fora do escopo, afetam diretamente o “atingimento” do efeito que historicamente conhecemos. Um fato histórico, qualquer ele, é único em sua realização, não podemos voltar no tempo e tentar analisá-lo alterando-se algumas de suas variáveis. Posto desta forma estudamos o passado não para conhecer o futuro, mas sim para termos conhecimento de como das múltiplas opções de efeitos possíveis, uma foi alcançada, jamais saberemos as outras, jamais saberemos quão melhor ou pior, quão mais coerente ou incoerente foi ela em relação a todas as outras que não foram. Tento imaginar uma imagem, e a que me vem a mente é a de uma arvore “ao contrário”, tendo início nos ramos menores, daí aos galhos, aos troncos maiores e terminando no troco central. Cada ramificação como sendo um evento, uma causa passada que vai afetando outras e outras até desta infinidade complexa do caos de causas que desconhecemos, acabam por afetar o evento que estamos estudando ou tentando entender, o tronco central da árvore, que amanhã será mais uma das múltiplas ramificações que afetará outro tronco central. Vem-me à cabeça a complexidade dos campos gravitacionais, como alguém já falou, não existe um ponto no espaço livre destas miríades de efeitos gravitacionais. 


Induzir, por pura facilidade, deve ser evitado. Generalizar sem a mínima certeza de que tentamos o máximo possível de variações em nossa análise jamais deve ser feito. Em ciência generalizamos porque em laboratório foram testadas e tentadas todas (na verdade nunca todas mas um corpo enorme de tentativas), pelo menos todas as possíveis alterações de variáveis e de ambientes antes de generalizarmos, e mesmo assim vários outros pesquisadores e cientistas corroboram com esta generalização simplesmente por desconhecerem assertivamente alguma forma de refutar tal generalização. Tão logo apareça uma refutação, a generalização será descartada ou ajustada para um novo status, mesmo que as vezes de forma adhoc por algum tempo. 
O método científico é filtro dele próprio. 

Nós individualmente não conseguimos aplicar o método científico em fatos sociais ou mais complexamente ainda a fatos históricos: posto desta forma, devemos ter o máximo de cuidado quando trabalhamos o desconhecido para nós. Se nos é possível pesquisar ou estudar devemos fazê-lo, se nos é possível racionalizar devemos tentá-lo, se nos é possível uma análise crítica devemos fazê-lo. E devemos, dentro do possível jamais partir para generalizações em eventos sociais e históricos, e nem assumir induções que podem ser mera e simplesmente um exercício de “chute e futurologia”, em que a sorte pode ajudar ou o azar, o que é mais provável, pode nos derrubar. Sejamos humildes e aceitemos que não nos é possível tudo conhecer, mas que nos é possível correr atrás deste e de outros conhecimentos.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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