Presunçosos


Como já me expressei em muitas outras ocasiões, entendo que no geral cada membro da sociedade humana, no que tanja a nossa condição de seres que se acham humanos, ocupa alguma posição entorno de uma média, e que um número bem menor de semelhantes se coloca distante desta média, tanto para mais, quanto para menos. Atenção especial deve ser dada a que me refiro a condição de ser um ente humano, não a condição em que realiza o seu viver como ente humano, onde as diferenças são muito mais marcantes, onde um grande número de irmãos vive em miséria ou explorados, e onde uma minoria absurda vive de forma ofensivamente abastada. 

O que me provoca a este texto, é que em um mundo de médias, com certeza tem de existir pessoas abaixo e acima da média, mesmo que seus desvios padrões possam ser pequenos. Entretanto, quando tento perceber como as pessoas se sentem como entes humanos, tenho a nítida sensação de que a maioria, sem uma maldade maior, se acha acima da média. Desta forma, muitos acabam por se acreditarem, como entes humanos, acima da média, na maioria das qualidades, virtudes e características que marcam, compõem ou identificam nossa humanidade, e nossa condição de seres humanos. Matematicamente não é necessária uma distribuição exata e proporcional dos acima e dos abaixo da média, a curva não precisa ter a forma exata de sino, que seria uma curva, é bem verdade, bastante comum. O que me incomoda, não é a possibilidade da curva ter um certo desvio, e conter mais pessoas acima da média, do que abaixo da média na sua distribuição, o que me incomoda é que a realidade social não corrobora e não se alinha naturalmente ao fato de termos uma maioria de pessoas de índole humanamente acima da média. Acreditar que humanamente, a maioria das pessoas estejam acima da média do “ser humano” deveria implicar em que a realização social do viver fosse muito mais humana e social do que é. Para que assim não o seja, minha análise implica em que ou a média do “ser humano” é muito baixa, onde estamos muito longe do que seja realmente ser um humano, ou então a maioria das pessoas tem uma leitura errada do como são em si humanas, perdendo assim a aderência com sua realidade muito mais desumana do que acreditam de si mesmos. (Uma outra possibilidade seria a de que a minoria absoluta, abaixo da média, fosse tão poderosa que mantivesse todos os outros, a maioria, sob forte esquema de poder e de força, o que também não é verdade em si só, pois que a maioria de nós aceita de forma natural a sociedade, e em muitos casos apoia o atual estado das coisas, o que por si só já fala pela humanidade individual desta possível maioria).  

Isto por si só já deveria ser o bastante para nos identificar, no geral, como possíveis presunçosos e arrogantes, no sentido que damos a nossa própria humanidade. Devemos assim ter um sentido de vaidade e egoísmo mais alto do que gostaríamos de admitir, e infelizmente um valor bem abaixo do que gostaríamos em relação a nossa humanidade. 

Nosso cérebro e nossa mente, exatamente pela total e absoluta falta de algum projeto, cresceu evoluindo por pressões seletivas que não conhecemos em toda essência, cresceu de adaptação em adaptação, aproveitando o que tinha, dando novas funções a outros circuitos e criando novas redes neurais. Desta forma, temos circuitos neurais mais “modernos” convivendo com outros antigos e alguns outros adaptados a novas funcionalidades cerebrais. A mente que surge emergindo como resultado desta complexidade cerebral é imperfeita, com falhas funcionais e ”bugs” operacionais, sendo a nossa vaidade, apenas mais uma destas falhas.


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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