Sentido de Humanidade

Entendo que o sentido de humanidade não pode por si só nos diferenciar. Cada um é cada um, isto é verdade, mas não pela humanidade em si. Somos múltiplos e complexos. Cada um experimenta em seu ser, através de sua mente, uma complexidade múltipla de realidades mentais, conscientes e inconscientes. Mesmo gêmeos idênticos possuem realizações e experiências mentais independentes, próprias, únicas em sua abrangência. Todos somos um estado “emergente” do subjetivo que nos faz ser quem somos, ninguém é se não pela subjetividade emergente de seu complexo circuito neural. Desta forma cada um é próprio, é único, e não menos complexo. E o sentido, o sentimento, ou o emocional, que nos faz humanos, que nos dá o sentido de humanidade, está conosco, ele é conosco, mas ele não é o que somos, ele está em nós, mas ele não é o que nos faz ser, ele é parte possível de nós, e nunca o todo que nos faz ser quem somos.

Entendo ser impossível existir alguma coleção, mesmo arbitrária ou natural, de atributos ou qualificações, quaisquer que elas sejam, que nos nivele, iguale ou que nos faça iguais, impossível, somos cada um reflexo muito complexo de muitas coisas, desde a parcela determinista de nossa genética, até a parcela construída ou desenvolvida ao longo de toda a vida, para hoje sermos o que somos, e já não o seremos logo mais. A prova maior de que não podemos ser iguais, é que nem nós mesmos somos iguais ao longo do tempo conosco mesmo, somos hoje diferentes do que éramos a um tempo, e seremos amanhã, já um pouco diferente do que somos hoje, simplesmente graças a plasticidade das “ligações” neurais (sinapses) que está constantemente sendo redesenhada, horas criando novas, horas destruindo outras, horas reforçando algumas e horas enfraquecendo outras mais, e isto tudo acontecendo continuamente, de forma silenciosa e baseado é inúmeras diferentes causas, externas ou mesmo internas.  

Entendo que, desta forma, cada um realiza, ao seu único modo, em seu íntimo, também sua humanidade ou desumanidade, ou ambos, horas tendendo a uma vertente mais humana e outras horas desviando para uma vertente mais desumana, também por isso somos complexos, podemos em alguns momentos parecer feitos de pura virtude ou de valores de enorme dignidade humana, entretanto podemos em outras horas, sob diferentes contextos, envolvendo outras realidades de momento, agir de forma pouco humana. 

Entendo finalmente que a nossa Humanidade, sem uma opção sincera pelo Amor racional, e sem uma decisão de compromisso para com o que nos esforçaremos a ser, é tão somente brincar de ser humano, ou melhor, somos humanos, e por isso não somos perfeitos, não somos conscientes de tudo o que somos, e assim, nossa humanidade é algo não preciso, e que depende muito de nossa vontade, desejo e esforço, mas mesmo assim podemos vez por outra tropeçarmos no que desconhecemos em nós e acabar agindo de forma que pode até mesmo nos envergonhar.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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