A “História Natural”, em especial até fins do século XVIII e início do século XIX

A “História Natural”, ou o que era designado, ao longo de muitos séculos, como “História Natural”, não estava e nunca estaria preparada para responder a uma das perguntas que entendo mais importantes (e suas variações e derivações), e que deveriam ser feitas individualmente por todos, qual seja: De onde viemos? Como surgiu a vida? O que é a vida? E por aí se vai. Mas porque a História Natural, ao longo de muitos e muitos anos do domínio do que chamarei genericamente poder dominante da igreja, em boa parte do mundo ocidental, não estaria competente para responder a estas perguntas? Várias são as respostas, mas me atreverei a comentar apenas uma linha. Falamos de toda uma era até cerca do século XVIII e XIX, em que o domínio desta disciplina, como de muito do que se denominava algum saber formal, estava em poder de membros da estrutura religiosa, ou de grupos muito próximos a este poder. Decorrente deste fato, a História Natural sofria forte limitação no tocante a sua parte “história”. O poder religioso, principalmente já mais ao final deste período, até permitia certa liberdade de estudo do natural, da natureza, inclusive com parte dos estudiosos buscando dar mais luz e entendimento a criação divina. No tocante a parte história, ao contrário, sempre houve forte restrição. Estudar o que é uma vida, é muito diferente de estudar como surgiu a vida. Cabe lembrar que desde os gregos, desde em especial os pré-socráticos, o estudo dos seres vivos sempre teve próxima ligação com a questão da origem do mundo natural, mas para o poder religioso dominante, estudar o mundo natural não significava, e não podia significar, estudar a sua origem. Os cristãos, em especial os da era medieval, rapidamente chegaram a conclusão, se dando conta de que toda e qualquer investigação histórica acerca do mundo natural podia facilmente levar a teorias perigosas. A natureza devia ser apenas entendida como uma criação divina, todos os reinos da vida haviam de unicamente ser criação de deus, ou corria-se o risco da contradição com a doutrina cristã, em especial contida no gênesis, mas fartamente doutrinada a todos, e assim perder sua coerência. Os estudiosos da História Natural não podiam ser historiadores porque acabariam por chegar a questões desconcertantes, assim aos historiadores-naturais apenas cabia contar a história da natureza conforme contado no gênesis. A eles era permitido toda uma gama de identificar, nomear, classificar, mas nunca questionar suas origens, sejam de seres vivos, sejam de corpos celestes. A natureza como um todo poderia ser contada e descrita em suas maravilhas, entretanto questionar sua diversidade, e origem, cabia apenas a regra de aceitar como criação de um deus onipotente. Havia forte controle a qualquer pergunta ou estudo que pudesse, minimamente que seja contestar o mito da criação divina, e assim passava a ser visto como heresia, e nós sabemos como eram tratadas as heresias. Desta forma, até o final do século XVIII toda e qualquer disciplina que se alinhasse com a “história Natural” era dominada e controlada por membros eclesiásticos, como vigários, pastores, abades, diáconos e monges, entre outros, pois que estariam eles a serviço dos prodígios da criação divina, mas em contrapartida a esquiva era total quando tratava-se de questionar suposições fundamentais acerca da própria criação, era proibido questionar o mito da criação, e assim, nos parece estranho hoje, mas havia uma forte distorção da disciplina, que era aceita por todos. “A História Natural” competia estudar a natureza sem estudar sua história.”.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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