Darwin e sua teoria


Darwin já houvera terminado sua obra, mas a mantinha guardada. Poucas pessoas, apenas os mais amigos de alguma forma conheciam sua composição. Darwin imaginava claramente o poder de quebra de paradigma de sua teoria, em especial quanto a princípios religiosos, tão arraigados, e sabia que melindraria ou ofenderia pessoas que gostava, além de comprar briga com os representantes do poder religioso. 

Chegado o ano de 1858, Darwin recebe um manuscrito de Wallace, ainda um esboço provisório, de uma composição que descrevia uma teoria geral da evolução por seleção natural. Darwin ficou chocado e atordoado com muitas semelhanças entre o que propunha Wallace e sua própria teoria. Wallace era um naturalista que vinha também pensando a respeito do como surgiriam a enorme variação de espécies vivas ou encontrada em fósseis. O interessante é que o mesmo ensaio de Malthus, que foi um importante gatilho para o avanço da teoria de Darwin, foi também importante para o Wallace. Mais interessante ainda, foi a coincidência da importância de uma viagem de pesquisa e coleta, no caso de Wallace, ao Brasil, para a estruturação de suas ideias. Após o retorno desta viagem, Wallace estava transformado. Desta forma, em 1857 Wallace dera início a estruturação de uma teoria geral sobre o mecanismo que poderia impelir a variação das espécies. 

Enquanto lia o manuscrito de Wallace, Darwin ia ficando atordoado com a obra que recebera. Darwin, um tanto quanto assustado, remeteu apressadamente o seu manuscrito a um velho amigo, Lyell. Lyell que já sabia que Darwin trabalhava em uma teoria evolucionista, ao saber do caso, propõe que Darwin faça uma apresentação simultânea dos dois trabalhos, seria no mínimo mais ético e cavalheiresco. Como o trabalho de Darwin seria mais completo e robusto, pensava Lyell, ambos receberão créditos por suas descobertas, mas Darwin teria a seu favor uma proposta mais elaborada, robusta e evidenciada. 

Em primeiro de julho de 1858, no encontro da Linnean Society, em Londres, os dois textos foram apresentados e discutidos em público. É curioso como ambas as teorias não conseguiram emocionar a plateia. O público, de especialistas e de leigos, não sentiu entusiasmo especial algum por nenhum dos dois estudos. Visando um texto mais completo ainda, Darwin impôs-se algum esforço em revisar, e se fosse o caso complementar a obra, pois passou a ter certa pressa em publica-la. Em 1859 Darwin contata o editor John Murray solicitando a publicação de seu livro. Finalmente, em 24 de novembro do mesmo ano, uma quinta feira, a sua obra “A origem das espécies por meio da seleção natural” foi tornada pública para venda, nas livrarias da Inglaterra. Foram impressos um total de 1250 exemplares e Darwin radiante viu sua publicação ser esgotada para venda ainda neste mesmo dia. Uma enxurrada de comentários positivos passou a tomar conta dos leitores. Darwin bem sabia do alcance de sua teoria, e por astúcia ele evitou cautelosamente entrar em detalhes, quaisquer que fossem, quanto a evolução humana. A obra completa, densa e detalhada, continha uma única referência a evolução humana: ”... será lançada uma luz sobre a origem do homem e sua história...”. Muitos a definem como a mais comedida referência científica da história.


É bem verdade que a teoria era bem abrangente, detalhada e evidenciada, mas para seus detratores a teoria falhava, pois que não explicava o porquê e o como ocorria a variação, sendo assim atacada pelos opositores, como apenas uma brilhante teoria intelectual, mas nunca comprovada na prática, no como ocorria a variação. Sim, infelizmente Darwin aparenta não conhecer a teoria de Mendel, que muito ajudaria na resposta destas críticas iniciais. É bem verdade que Darwin tinha um exemplar da composição de Mendel, mas mesmo assim parece claramente que Darwin não a havia lido. Mas mesmo assim, ainda faltava, na prática, o mecanismo da variação, que somente surgiria muito tempo depois, que é simplesmente a genética. Como sempre, é bem comum em religiosos, se agarram as lacunas para buscar desqualificar o que possa ser contra suas revelações improváveis. Mais uma vez esta lacuna, como muitas e muitas outras se fechou, e hoje bem sabemos que esta lacuna defendida por fundamentalistas na defesa de seus interesses, é o genoma de cada espécie. Erros de cópia, podem levar a variações, e estas a especializações, e assim por diante, dando vida ao motor da evolução. 



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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