DIGNIDADE

Reconhecer a dignidade de um homem deveria ser fácil, somos humanos e deveríamos, todos, viver e nos sentir animais sociais, animais naturais e animais humanos. O compromisso natural por si próprio, pelos que mais diretamente amamos, deveria ser também natural para com todos, e assim uma dignidade humana minimamente social deveria ser lugar comum a cada um de nós. Infelizmente isto não é verdade para todos nós, uns porque perderam a afinidade com os valores humanos, sociais e naturais, outros porque perderam a crença na importância da vida e do bem viver como algo universal, outros mais ainda porque preferiram por diversas razões se omitir desta responsabilidade pelo bem querer a todos e passam a viver enclausurados em seus interesses pessoais. Por outro lado, alguns, sofridos, abandonados ao longo do tempo, sem presença social da sociedade e do estado, perderam completamente a crença de que realmente esta mesma sociedade, ou este estado, sequer pensam que eles existem, que têm necessidades, que são gente como qualquer outro de nós, e que merecem não somente a caridade, que necessária posto que a fome e a miséria não esperam, mas que merecem que algo possa ser transformado para que eles também, que hoje vivem à margem, esquecidos e abandonados pelo sistema, pois que a economia não vê neles sequer mercado ou interesse qualquer, possam, não ser um peso morto sustentado, mas sim um elo digno, um ser capaz de somar, de mais do que dividir a riqueza, participar de sua produção, não como escravos, como explorados, como escória, a quem sobra, quando muito, o sub emprego, ou os empregos que ninguém quer, mas sim que possam ganhar em auto estima, que possam crescer como seres humanos, que possam ter sua dignidade humana equiparada a mais bela, responsável e comprometida dignidade humana e social de qualquer um de nós. 

A dignidade humana é algo que pode não ser fácil perceber, mas podemos tentar, e passa, de forma sutil, por muitas características, uma delas, não necessariamente a maior ou a mais precisa, mas tem início na identificação da dignidade dos amigos de cada um e de todos que o cercam, passa por identificar como ele vive, e termina por interpretar suas atitudes e seu comportamento, principalmente aqueles que ocorrem no “lusco-fusco” de sua intimidade ou no brilho de seu poder. O ideal seria conseguir perceber as intenções, mas isto, diretamente, não é fácil, pois que a intenção está escondida no subjetivo de cada um, mas com paciência é possível perceber os alcances de cada um dos atos de uma pessoa, e devemos sempre perguntar, quem realmente ganha com cada ato, quem diretamente ganha, e mais sutil, quem indiretamente ganha, a quem realmente interessa o alcance de cada ato, e aos poucos pode-se perceber algum padrão. Cabe lembrar que do ponto de vista do pobre ou miserável, que com fome, doenças ou sofrimento, ganha o que quer que seja, o que menos interessa é a intenção, e eles estão certos, a necessidade é a primeira das leis, pelo menos para mim, e eles precisam ganhar expectativa de vida, e toda e qualquer ajuda, bem ou mal intencionada, digna ou indigna, sincera ou falsa, será sempre bem recebida por quem realmente passa sérias necessidades, quem vê seus filhos na fome, abandonados, doentes e por aí vai...

A dignidade de um homem passa pelo que ele faz, mas é com certeza reflexo do que ele é e do que ele quer ser, e das reais intenções e interesses que o movimenta ao que ele deseja ser, e ao que ele é capaz de fazer para tentar chegar lá...



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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