O amor paixão não somente é cego, mas também é de uma imaginação fantástica

O amor paixão não somente é cego, mas também é de uma imaginação enormemente criativa e fértil. O amor fogo, o amor torrencial, aquele amor apaixonante dos primeiros meses, ou mesmo anos, é algo que nos transforma, que centra nossa atenção no ser amado, mas não necessariamente, muito pelo contrário diria eu, em qualquer observação mais racional deste ente amado, a companheira ou o companheiro. Mas este amor chama, com o tempo diminui e o amor razão começa a ganhar corpo, e nesta fase, podemos nos decepcionar com nosso ente amado, pois que em alguns casos, muito do que havíamos idealizado, criado como virtudes e valores da(o) companheira(o) podem começar a não se mostrarem verdadeiros, e a decepção começa a tomar conta de nós. Como é bom, quando percebemos ao cruzarmos o limiar entre o amor paixão e o amor razão, que muito daquilo que percebíamos é realmente verdade, assim o ser amado, em verdade, se alinha com o ser que cega e criativamente construímos mentalmente. Por outro lado é triste e decepcionante quando passada a fase louca da paixão, começamos a perceber que nosso(a) companheiro(a), pior do que não possuir as virtudes, as qualidades, e os ideais de vida que havíamos cega e criativamente construídos como sendo dele(a), possui características que não nos cativam, ou mesmo que não aceitamos como socialmente dignas, humanamente valorosas, ou naturalmente agradáveis. O que mudou? O que ignoramos de início? Não podemos nos depreciar por isto, infelizmente o amor paixão, quando nos toma de supetão, envolve centros de recompensa e de emoções que são em si muito poderosos e que fazem de nossa incipiente consciência (se é que ela realmente existe) algo desfocado para a realidade, e algo focado no que idealizamos. Enquanto a paixão inflama nosso ser não vemos o que é, mas sim o que somos tomados a subjetivamente ver ou desejar. Só quem jamais foi arrebatado por uma paixão nunca sentiu isso. Somos assim, todos, eu, meus filhos, você e qualquer um. Quando estamos apaixonados, nossos julgamentos são desorientados, perdemos o foco real, enevoamos de tal forma nosso alvo do amor, enfeitamos tão bem nossa(o) amada(o), ficamos tão eufóricos por este amor, ornamentamos tanto este relacionamento com sonhos, desejos, e “esperanças”, que não conseguimos muitas vezes sequer ver o óbvio, mesmo que outros nos apontem. Mas isto é o amor? Pessoalmente tenho claramente a separação entre amor e paixão, entendo que o amor, relacionamento afetivo, para diferenciar dos outros amores, pode ou não nascer e ser mantido a posterior da paixão. Como já comentado em outros pensamentos, o termo amor é único, uma só palavra, para diferentes estados emocionais e sentimentais, na minha visão existem muitos “tipos” de amores que possuem em comum, além da sua identificação pelo termo amor, uma certa órbita de valores e qualidades, de características e de sensações, mas que possuem como energia potencial, o bem querer e o compromisso pela sua construção e manutenção. Dos amores que percebo, apenas um, o pelos nossos filhos, pode levar a alguma discussão quanto a necessidade de compromisso ou não pela sua construção, ou seria ele tão “hormonal”, tão natural, que manteria o valor do bem querer, mas sem a necessidade de compromisso pela sua construção? Mesmo nestes casos, entendo eu, pelo que sinceramente me dediquei a pensar e estudar, que o próprio período da gravidez é o tempo em que o construímos, e o reforçamos ao correr de cada instante de convivência, direta ou indireta, com nossos filhos, assim, apesar de visceral e de hormonal, até o amor para com os filhos, biológicos ou adotados, possui ele também a real necessidade de uma compromissada entrega em sua construção. Agora tenho que ser sincero, uma paixão é algo muito forte, e que quando migra para o amor, se completa e faz valer a pena cada instante de loucura, de apaixonada vontade de ser um com nossa(o) Amada(o).


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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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