Padeço de certa frustração

Padeço de certa frustração, pois ainda não consegui aflorar em minha mente um real e pleno sentimento de amor universal.

Incomoda-me ver o sofrimento alheio, as injustiças sociais e as falaciosas e quase mágicas promessas da esperança apregoadas como uma espécie de calmante entorpecedor pelos que detêm de alguma forma o poder, cada um deles por seus interesses específicos. Infelizmente sinto que ainda me falta a ousadia, o desapego e a coragem definitiva e real para, de peito aberto, ser mais que algum simples suporte aos necessitados, mais que simples muletas para os abandonados, mais que simples caridoso para os excluídos, mais do que simples voz para os carentes, mais que um simples pensador para os necessitados. Faltam-me assim audácia, ousadia e coragem, falta-me real comprometimento, envolvimento e lealdade, para ser muito mais que um simples revoltado, para ser mais que um simples construtor de abrigos, para ser mais que um desbravador de atalhos, ou mesmo para ser mais que um simples minimizador da dor que impede a dignidade humana e a felicidade de muitos. Tudo isto é necessário frente a emergência e a premência de ajudar nossos irmãos, mas isto produz verdadeiramente poucos resultados de médio e longo prazo quanto a inclusão social daqueles mesmos para quem foco minha atenção, quanto a dignificação verdadeira do ser humano, e também frente a atual situação degradante de nossa realidade política, econômica e social, a qual ingenuamente sustentamos.

A transformação social necessita de maior ousadia e coragem para nos expormos, mesmo que possamos bater de frente quanto aos interesses dos poderosos, dos fazedores de opinião, dos domesticadores e catequizadores de plantão, e mesmo frente a alguns de nossos amigos. A dignidade social e humana é mais importante que a impressão que possam ter de mim. Ajudar é premente, ser caridoso é necessário, entretanto somente uma transformação é parte importante nesta solução, e é dever sabermos que toda transformação de qualquer sociedade, como ao longo do tempo nos foi mostrado, é infelizmente parceira de alguma dor temporária. Não existe mágica, não existem milagres, a história universal nos mostra claramente, não existe transformação se apenas fizermos caridade, e fica pior ainda se nos abstermos da caridade emergencial, apenas por acreditarmos ser responsabilidade do estado, ou por no mínimo não acreditarmos ser nossa responsabilidade trabalhar por uma transformação social. Acorde eu, acordemos nós, o estado somos todos nós, a sociedade é quem escolhe seus representantes. A sociedade consiste de cada um de nós, e de nossos atos, desejos e comportamentos, ou de nossas omissões e descasos. Delegar ao estado esta transformação e nada fazer para que isto realmente aconteça é se esconder de nossas responsabilidades, transferindo-as para terceiros.

Assim, sendo também responsável, decorrente de certo comportamento omisso frente a verdadeira ousadia necessária para esta transformação social e humana, sinto-me frustrado.  




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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