A natureza e o conhecimento me comovem

Nem tudo me comove, mas a natureza por si só cada vez mais me encanta, cativa, arrebata, seduz, impressiona, e enfim, me comove demais. Ser natureza, comungar com ela, existir nela, buscar entende-la, senti-la e dividir existência com ela é realmente algo muito encantador. Não é igual ao nascimento de filhos, o encontro da mulher amada, não é como ouvir um ótimo rock ou degustar do melhor vinho, não é como participar de uma vitória social ou perceber uma derrota dos exploradores. A natureza, o natural, e a vida dentro disto tudo, me comovem de uma forma emocionante e reconfortante que me fazem mais ainda me encantar pelas emoções pessoais e sociais. Sendo a natureza o todo, o escopo maior e envolvente a tudo, a emoção e o sentimento envolvido é assim, um pouco de tudo que citei, entretanto é muito mais ainda. É mais, não porque de impacto momentâneo maior, ou nem é mais por seu valor em ordem de grandeza, e nem em qualidade, é mais porque envolvente, perpassando tudo que sou, e possibilitando uma emoção sutil, mas marcante e contínua. Cada nova descoberta natural, cada nova refutação, cada nova evidência, cada nova dúvida, cada nova percepção, até mesmo cada nova possibilidade, que de cara não fira ou contradiga o real, algum conhecimento inquestionável, acabam por mexer tremendamente comigo, movimentando uma certa euforia que me faz mais curioso ainda, e que me provoca uma postura de dúvida coerente. A curiosidade e a dúvida reagem com meu ser e me deixam algo como que extasiado pelo que já veio e pelo que poderá ainda vir. Este estado encantador e sedutor me dão nova energia para mais buscar entender, mais buscar duvidar, mais buscar desconstruir não somente o que percebo, mas em especial o que penso, o que sinto, o que creio como verdadeiro, e também aquilo que tenho dúvidas. 

A crise da descoberta de que investimos tempo e esforço em equívocos choca, mais choca quanto mais tempo, esforço e dedicação destinamos a algo que passamos a ver como um erro, uma mentira, uma impossibilidade ou uma falácia, entretanto, assim que prontamente superada esta dor, entramos em um nível emocional tal que este novo caminhar nos comove muito mais do que a dor inicial da descoberta do erro, da descoberta do equívoco de conhecimento, ou de princípios, ou mesmo de personalidade. Como é gratificante perceber, apreender, aprender, e entender o que sou, o que possa ser, e o todo real que nos cerca, nos afeta, e que dá suporte imanente e verdadeiro a realidade de cada instante presente. A dúvida, longe de ser destrutiva é provocadoramente construtiva. A curiosidade antes de “matar o gato” nos ajuda a querer buscar, a procurar, a questionar, a investir mais tempo na busca. Descobrir que a dúvida era bem-vinda, que a curiosidade era bem-vinda, e que o abandonar-se a emoção de desconstruir para construir era bem-vinda, vale qualquer dor temporária de abrir mão do que nos parecia muito caro a olhos anteriores. A ciência, o aprender, o entender, o construir um conhecimento é comovente, é natural, como natural é tudo o que existe e que sinto, tão natural como se comover com o nascimento, não menos natural dos filhos. Ganhar conhecimento do real, da natureza, do natural, em nada diminui a beleza das coisas, como ignorantemente professam algumas falsas autoridades de algum saber sujo, interesseiro, corrupto e putrefato, muito pelo contrário, a beleza não está na inocência, na ingenuidade ou na ignorância das coisas (não que inocentes ingênuos ou ignorantes não sejam capazes de perceber beleza nas coisas, claro que são, pois que a beleza não está nas coisas em si, e sim nos valores que colocamos nas coisas ou que aprendemos a colocar). O conhecimento engrandece a beleza do que nos cerca, pois que vemos mais, vemos pela beleza dos olhos e pela beleza do conhecimento. Olhar o sol e apreciar sua beleza plástica, em nada é afetado para pior, pelo contrário, deixa a beleza do sol maior ainda quando entendemos, pelo menos em parte, tudo que acontece de reações, das forças envolvidas, das leis naturais que o movimentam, a ponto de que quanto mais saiba sobre ele, mais belo e encantador ele é, pois que como já dito elevo a beleza e a emoção dos olhos e dos valores plásticos que o envolve, pois que enriqueço esta beleza com outra mais básica, a beleza emocionante de entender seu interior, sua formação e o que o mantem ativo, valendo esta regra simples, para tudo. Conhecer, mesmo que em parte, engrandece a beleza do todo. O que não podemos é confundir o saber, o conhecimento, com arrogância, petulância, vaidade e por aí vai. Todo saber deve ser humilde, recoberto com alguma dúvida, envolto na busca de sua refutação, e esta humildade deve diferenciar uns dos outros, os que tem prazer e regozijo com o conhecimento, daqueles que o buscam para parecerem melhores, e este comportamento se reflete diretamente na forma como vivem uns e outros. A humildade deve ser tal que certezas arrogantes não têm lugar, a humildade é necessária porque todo conhecimento é repleto de lacunas, e passível de refutação.


Desde jovem que a física, em todas as suas áreas de conhecimento, me encanta, e quanto mais creio saber, mais encantado fico, mas de um tempo para cá sou honesto em dizer que outras áreas do saber têm me encantado, são muitas, mas três delas não posso me abster de comentar: A biologia, a neurociência e o que de alguma forma acabo chamando como conhecimento social. E se eu me envolvo e me comovo, e quanto mais me envolvo mais me comovo, isto não é um privilégio ou um azar meu, é porque naturalmente nossa mente está ávida por conhecimentos naturais, e assim, todos e cada um podem também se maravilhar com estas emoções, bastando para isso abrir o coração, derrubar preconceitos, colocar a mente em estado de livre pensar, deixar a curiosidade brotar e crescer, aprender a deixar bom espaço para dúvidas, questionar tudo, negar toda e qualquer autoridade do saber, não ter medo de ir cada vez mais fundo, mesmo que possa envolver ou embaraçar crenças imanentes ou transcendentais que muito valorizamos. A emoção de se ver parte ativa desta maravilhosa e complexa rede do natural vale qualquer dor passageira.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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