Nada deve estar protegido a críticas e desconstruções

Não somos humanos, se é que minimamente o somos, para brilhar ou reluzir. Somos seres naturais, somos seres sociais, e o brilho deve estar na natureza e na sociedade, o que deve reluzir não somos nós e sim o escopo geral do comportamento humano que nos deveria ser comum. O fulgor deve estar no natural. A humildade deveria ser nossa parceira, e quando, por alguma razão, passamos a alocar esforços lustrando cada ato, polindo cada comportamento, podemos já estar nos desviando do verdadeiro sentido de humanidade. A natureza e o natural são o que de mais importante existe, e dentro dela, a vida, toda vida, a essência biológica do viver, o salto do físico-químico para o biológico-mental, e deve ser a vida e o viver, nosso maior valor, devendo assim guiar cada ato, cada comportamento individual ou coletivo para maximizar a beleza natural de todas as vidas e do viver, e neste mundo “encantado” da vida somos apenas mais uma espécie, nada especial, que ocupa um nicho biológico próprio, um nicho ecológico que deve ser preservado. Nossa prepotência e arrogância, nossa vaidade e interesses acabam por destoar, por macular, por denegrir, por exaurir e por destruir a beleza maior da essência do viver. Somos filhos da evolução, somos uma espécie natural e assim como todas as espécies somos seres da média de suas características, boas ou más. A vaidade de nos acharmos superiores, como espécie, algo como o estado da arte na natureza, me envergonha, e já fala por si só no quanto estamos pedidos como seres humanos, como seres naturais, e como seres sociais. Somos seres das médias, em uma realização do viver também das médias. Nenhuma inteligência nos qualifica como melhores ou superiores, apenas deveria ela aumentar nossa responsabilidade, exatamente para com a natureza, o natural, o social e o humano. A humildade deveria nos mostrar que somente uma razão amorosa, somente um estado crítico, sincero e honesto de livre pensar, que somente uma postura de análise crítica de tudo pode realmente nos trazer de volta para um estado de ser humilde, e mais do que parceiro de toda a existência natural, pode nos mostrar que somos um com a natureza, e não que somos maiores ou melhores do que esta mesma natureza. Parece que na emoção de nos valorizarmos, nos esquecemos que a natureza existiu por vários bilhões de anos sem nossa presença, e que continuará a existir quando nossa espécie se for, mas nós, os seres que se veem acima e melhores do que realmente são, não sobreviveremos, um segundo que seja, sem a natureza, pois se aqui estamos é porque exatamente esta natureza deu, e dá, suporte físico, químico e biológico para nossa existência, e que sem ela, a magistral natureza, pereceremos imediatamente. Como podemos ser mais importantes que a natureza, se dela somos totalmente dependentes, enquanto a natureza, de nós é totalmente independente. Vergonha de ser irmão em espécie, de alguns, que infelizmente são muitos e muitos, que se acham acima, superiores e melhores do que o natural, do que a natureza, e mesmo no âmbito do vivo, do humano e do social, se acham acima dos demais irmãos e primos em espécie.

Criticar, desconstruir, e julgar não são atos que denigrem em nada o alvo da crítica, da desconstrução ou do julgamento, desde que feitas com sincero compromisso de desnudar sem ofender, com a honesta obrigação de não cruzar a linha entre o que a crítica é, ou mesmo entre o que o julgamento do que seja cada coisa ou ser, e a vida pessoal individual e secreta de cada ser. A doutrinação massiva a que todos estamos passiveis nos faz confundir o respeito a pessoa, aos seus direitos e responsáveis liberdades, com os seus atos o seus comportamentos, com suas ideias, com seus pensamentos, e o alcance do como realizam os seus direitos e liberdades. Posso sim, podemos sim, e mais ainda, devemos ter a coragem e ousadia de criticar, de julgar, de analisar, de desconstruir cada ideia, cada conceito, cada comportamento, não pelo prazer da desmoralização ou da demonstração de alguma superioridade de quem critica ou julga, sobre o julgado ou criticado, mas sim pela busca de um bem estar natural e social maior, exatamente pelo bem querer coletivo e pelo respeito maior ao natural e a natureza. Não preciso me achar mais inteligente do que ninguém, o que na média não sou, pois que sendo um ser das médias, e sendo a inteligência um complexo emaranhado de múltiplas características, posso estar acima da média em algumas destas características, mas estarei com certeza abaixo da média em outras. É claro que existem exemplares humanos acima do desvio padrão médio, mas estes são raros, e com certeza não sou um deles, mas em contrapartida também sei que não sou algum daqueles que estejam abaixo, não sou, com certeza, no tocante a inteligência, nenhum exemplar especial, nos estremos da curva, sou um ser das médias. Retornando, não é preciso ter inteligência especial alguma para julgar como errado uma série longa de comportamentos e atitudes nos outros e em mim mesmo, uma quase infindável coleção de ideias e conceitos, e não há como respeitar tal atitudes e comportamentos, tais ideias e conceitos. Como respeitar um estuprador, um corrupto, um explorador, um preconceituoso, um fanático, um fundamentalista, um desumano, seja secular ou religioso. As pessoas confundem, talvez por mera agitação do dia a dia, o respeito a pessoa humana com o respeito as suas ideias, as suas fés, aos seus comportamentos, as suas crenças e descrenças. Julgar deve ser natural, culpar ou não depende de muitos outras inter-relações. Antes de atribuir culpa a quem quer que seja, é necessário entender o que levou cada um a ser como é ou a agir como age, é necessário buscar uma transformação, uma revolução naquelas causas e dar informações e ensinamentos para que aquele que julgado como um ser humano parcialmente ou mesmo muito inadequado para o convívio social natural possa se reencontrar, e voltar ao convívio pleno, humano e social. Julgar comportamentos não significa diretamente culpabilizar seres humanos. Que bom quando me julgam, em especial meus inimigos, pois que me permitem tentar ver com outros olhos o que realmente estou sendo, o como realmente estou interagindo com a natureza e com os seres vivos, pois que normalmente temos nossa visão deturpada pelo que gostaríamos de ser, pelo que acreditamos que somos, e perdemos, muitas vezes a real capacidade de nos ver como realmente somos. 




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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